Receber o diagnóstico de mioma não significa, automaticamente, que será preciso operar. Muitas mulheres convivem com esses nódulos sem sintomas ou com desconfortos controláveis. Mas, quando há sangramento intenso, anemia, dor pélvica, aumento do abdome, pressão na bexiga ou dificuldade para engravidar, a cirurgia pode ser uma etapa decisiva. As melhores opções cirúrgicas para miomas dependem da localização, do tamanho e da quantidade dos miomas, dos sintomas e, principalmente, dos planos reprodutivos de cada paciente.
A decisão não deve se basear apenas no resultado de um ultrassom. Uma avaliação ginecológica cuidadosa integra a história clínica, o exame físico e exames de imagem, como ultrassonografia transvaginal e, em situações selecionadas, ressonância magnética. O objetivo é entender o impacto real dos miomas na saúde e escolher uma abordagem proporcional à necessidade da mulher.
Quando a cirurgia para mioma costuma ser indicada?
Miomas são tumores benignos do músculo do útero. Eles podem crescer para dentro da cavidade uterina, na parede do útero ou em sua superfície externa. Essa posição muda completamente os sintomas e as possibilidades de tratamento.
A cirurgia costuma ser considerada quando o sangramento menstrual é tão intenso que causa anemia ou limita a rotina, quando há dor persistente, sensação de peso pélvico, compressão da bexiga ou do intestino, crescimento significativo do útero ou suspeita diagnóstica que exija investigação mais precisa. Também pode ser recomendada diante de infertilidade ou perdas gestacionais recorrentes associadas a miomas que deformam a cavidade uterina.
Nem todo mioma encontrado em uma consulta de rotina precisa ser retirado. Da mesma forma, uma paciente com um mioma pequeno pode precisar de intervenção se ele estiver dentro da cavidade uterina e causando sangramento importante. O que orienta a conduta é a combinação entre sintomas, anatomia e objetivos pessoais.
Melhores opções cirúrgicas para miomas: qual técnica escolher?
Não existe uma cirurgia “melhor” para todas as pacientes. Existe a técnica mais adequada para aquele útero, aquele conjunto de sintomas e aquele momento de vida. Em geral, as opções são a histeroscopia cirúrgica, a miomectomia e a histerectomia.
Histeroscopia cirúrgica para miomas dentro do útero
A histeroscopia cirúrgica é indicada principalmente para miomas submucosos, isto é, aqueles que crescem em direção à cavidade do útero. Eles podem provocar menstruação muito volumosa, cólicas, anemia e dificuldade de implantação de uma gestação.
O procedimento é realizado pela via vaginal, sem cortes no abdome. Um equipamento fino com câmera é introduzido pelo colo do útero, permitindo visualizar a cavidade uterina e retirar ou reduzir o mioma com instrumentos específicos. Em casos bem indicados, essa abordagem preserva o útero, tende a oferecer recuperação mais rápida e pode melhorar o controle do sangramento.
O limite da histeroscopia está na profundidade e no tamanho do mioma. Se uma parte importante dele estiver inserida na parede muscular do útero, pode ser necessário planejar a retirada em mais de uma etapa ou indicar outra via cirúrgica. A segurança depende de um planejamento detalhado e de indicação criteriosa.
Miomectomia: retirar o mioma e preservar o útero
A miomectomia é a cirurgia que remove os miomas mantendo o útero. Costuma ser uma escolha relevante para mulheres que desejam engravidar no futuro ou que preferem preservar o órgão, desde que isso seja clinicamente seguro e viável.
Ela pode ser feita por videolaparoscopia ou por cirurgia aberta, também chamada de laparotomia. Na videolaparoscopia, são realizadas pequenas incisões no abdome para a entrada de uma câmera e instrumentos cirúrgicos. A visão ampliada ajuda na dissecção e na reconstrução do útero, e a técnica geralmente está associada a menor dor pós-operatória, menor tempo de internação e retorno mais rápido às atividades.
A laparotomia pode ser a melhor alternativa quando os miomas são muito grandes, numerosos, estão profundamente inseridos na parede uterina ou quando a anatomia exige maior acesso para uma reconstrução segura. Escolher uma incisão maior não representa uma falha. Em determinadas situações, é a forma mais responsável de controlar o sangramento, retirar os nódulos adequadamente e restaurar o útero.
Após uma miomectomia, há possibilidade de novos miomas surgirem ao longo dos anos, porque o procedimento remove os nódulos existentes, mas não elimina a predisposição individual a desenvolvê-los. Para quem planeja uma gestação, também é necessário conversar sobre o intervalo recomendado antes de tentar engravidar e sobre a via de parto mais segura, que varia conforme a profundidade e a extensão da cirurgia uterina.
Histerectomia: solução definitiva em casos selecionados
A histerectomia é a retirada do útero. Por eliminar o órgão onde os miomas se formam, é o tratamento cirúrgico definitivo para os sintomas relacionados a eles. Pode ser indicada para mulheres que não desejam mais engravidar, apresentam miomas volumosos ou múltiplos, sangramento recorrente e intenso, anemia importante ou falha de tratamentos menos invasivos.
A cirurgia pode ser realizada por via vaginal, laparoscópica ou abdominal. A escolha depende do tamanho do útero, da presença de cirurgias anteriores, de aderências, de alterações associadas e da experiência da equipe. Sempre que possível e seguro, técnicas minimamente invasivas podem favorecer uma recuperação mais confortável.
É comum que a paciente associe histerectomia à retirada dos ovários, mas são procedimentos diferentes. Na maior parte dos casos de mioma, os ovários podem ser preservados. Isso é especialmente relevante antes da menopausa, pois os ovários continuam produzindo hormônios importantes para a saúde óssea, cardiovascular e sexual. A necessidade de retirar trompas ou ovários deve ser discutida de forma individualizada, sem decisões automáticas.
O que avaliar antes de decidir pela cirurgia
A indicação cirúrgica segura começa com perguntas que precisam ser ouvidas com atenção: qual é o principal incômodo? Há desejo de gravidez agora ou no futuro? O sangramento causou anemia? Existe histórico de cirurgias abdominais? Os sintomas afetam trabalho, sono, vida sexual ou autoestima?
Além disso, o mapeamento dos miomas é essencial. A quantidade, a medida e, sobretudo, a classificação de cada nódulo ajudam a prever a complexidade do procedimento. Um mioma submucoso de poucos centímetros pode ser mais relevante para fertilidade do que um mioma maior localizado na parte externa do útero.
O preparo também inclui avaliação do hemograma, correção da anemia quando presente e orientação sobre medicamentos. Em algumas pacientes, pode ser útil controlar temporariamente o sangramento ou reduzir o volume uterino antes da cirurgia. Essa estratégia não substitui o procedimento quando ele é necessário, mas pode melhorar as condições clínicas para realizá-lo com mais segurança.
Recuperação e sinais que exigem atenção
O tempo de recuperação varia conforme a técnica. Após uma histeroscopia, muitas pacientes retomam atividades leves em poucos dias. Na laparoscopia, a recuperação costuma ser mais rápida do que na cirurgia aberta, embora ainda exija repouso relativo e respeito ao período de cicatrização. Na laparotomia e em algumas histerectomias, o retorno gradual pode levar algumas semanas.
Dor que piora progressivamente, febre, sangramento intenso, secreção com odor forte, vermelhidão importante na incisão, falta de ar ou inchaço doloroso em uma perna exigem avaliação médica sem demora. Seguir as orientações sobre atividade física, relações sexuais, curativos e retorno é parte do tratamento, não apenas um detalhe do pós-operatório.
Uma decisão que respeita a sua história
A cirurgia para miomas não deve ser tratada como uma escolha padronizada. Preservar a fertilidade, aliviar sintomas que já se tornaram limitantes ou buscar uma solução definitiva são objetivos legítimos, e cada um deles pede um plano cirúrgico próprio.
Em uma consulta individualizada, é possível revisar os exames, esclarecer receios e entender os benefícios e limites de cada via. Para pacientes de Belém, Ananindeua e também para quem precisa iniciar essa conversa por telemedicina, uma orientação especializada ajuda a transformar incerteza em uma decisão consciente, segura e alinhada ao que você deseja para a sua saúde.
O Dr. Adalberto Reis Duarte é médico especialista em Ginecologia e Obstetrícia, com atuação em pré-natal de alto risco, pré-natal de risco habitual, parto cirúrgico e cirurgias ginecológicas.
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