Dr Adalberto Reis Duarte Ginecologista e Obstetra

35- O que acontece durante a miomectomia: 1º entenda

O que acontece durante a miomectomia: entenda

Receber a indicação de uma miomectomia costuma trazer duas perguntas imediatas: vou retirar o útero? E o que, exatamente, acontece na cirurgia? Quando a paciente pesquisa o que acontece durante a miomectomia, na prática ela quer uma resposta clara sobre segurança, etapas do procedimento e recuperação. Essa dúvida é legítima, porque entender o que será feito reduz ansiedade e ajuda na tomada de decisão com mais confiança.

A miomectomia é a cirurgia feita para retirar miomas uterinos preservando o útero. Em geral, ela é indicada quando os miomas causam sintomas como sangramento aumentado, cólicas intensas, pressão pélvica, dor, aumento do volume abdominal, dificuldade para engravidar ou perdas gestacionais em alguns contextos específicos. Nem todo mioma precisa de cirurgia, e nem toda paciente com mioma é candidata à mesma técnica. É justamente por isso que a avaliação individual faz tanta diferença.

O que acontece durante a miomectomia na prática?

Em termos simples, a cirurgia envolve localizar os miomas, removê-los com técnica cuidadosa e reconstruir o útero para preservar sua função e reduzir sangramento. O que muda de uma paciente para outra é a via cirúrgica. A miomectomia pode ser feita por histeroscopia, laparoscopia ou cirurgia aberta, dependendo do tamanho, número, localização dos miomas e dos objetivos reprodutivos da paciente.

Antes da cirurgia, a paciente passa por consulta, exame físico e análise de exames de imagem, como ultrassonografia e, em alguns casos, ressonância magnética. Também são solicitados exames laboratoriais e avaliação pré-anestésica. Essa etapa não é burocracia – é parte da segurança. Ela ajuda a estimar perda sanguínea, definir a melhor técnica e planejar detalhes importantes, como necessidade de internação, tempo cirúrgico e cuidados no pós-operatório.

No dia do procedimento, a paciente é admitida no hospital, recebe orientações da equipe e segue o preparo definido previamente. A anestesia varia conforme a técnica escolhida e o caso clínico. Muitas vezes utiliza-se anestesia geral, mas existem situações em que outras abordagens podem ser consideradas. Durante toda a cirurgia, a monitoração é contínua.

Como a cirurgia acontece em cada tipo de miomectomia

Miomectomia histeroscópica

Essa técnica é indicada principalmente para miomas localizados dentro da cavidade uterina, chamados submucosos, especialmente quando estão relacionados a sangramento uterino anormal ou infertilidade. Nesse caso, não há cortes no abdome. O acesso é feito pela vagina e pelo colo do útero, com um aparelho fino que permite visualizar a cavidade uterina por uma câmera.

Durante o procedimento, o cirurgião identifica o mioma e o resseca de maneira controlada. Dependendo do tamanho e da profundidade da lesão, a retirada pode ser feita em uma única cirurgia ou em etapas. Em geral, a recuperação tende a ser mais rápida, mas isso não significa que seja uma cirurgia simples em todos os casos. Miomas maiores, múltiplos ou muito profundos exigem planejamento cuidadoso.

Miomectomia laparoscópica

Na laparoscopia, a cirurgia é realizada por pequenos cortes no abdome. Uma câmera transmite as imagens para uma tela, e instrumentos delicados são usados para retirar os miomas e reparar o útero. Essa técnica costuma oferecer menor dor pós-operatória, recuperação mais rápida e retorno mais precoce às atividades em comparação com a cirurgia aberta, quando bem indicada.

Durante a operação, o útero é avaliado, os miomas são identificados e cada um é retirado por meio de incisões planejadas na parede uterina. Em seguida, o útero é suturado em camadas, com cuidado para manter sua resistência. Esse detalhe é especialmente importante em pacientes que desejam engravidar no futuro. Ainda assim, a laparoscopia não é a melhor opção para todas as mulheres. Miomas muito volumosos, em grande número ou em posições complexas podem tornar outra via mais segura.

Miomectomia por cirurgia aberta

Também chamada de laparotomia, essa abordagem envolve uma incisão maior no abdome. Ela pode ser a melhor escolha quando há muitos miomas, miomas muito grandes ou necessidade de acesso mais amplo para uma reconstrução uterina cuidadosa. Embora a recuperação costume ser mais lenta do que na laparoscopia, em alguns casos essa é a forma mais segura e tecnicamente adequada de tratar o problema.

Durante a cirurgia aberta, o cirurgião expõe o útero, localiza os miomas e os remove um a um, controlando sangramentos e reconstruindo a parede uterina. Em algumas pacientes, os miomas são numerosos e a cirurgia pode ser mais demorada. Isso não significa pior resultado, mas reforça a importância de experiência cirúrgica e planejamento individualizado.

O que a equipe médica observa durante a miomectomia

Quando se pergunta “O que acontece durante a miomectomia”, muitas pacientes imaginam apenas a retirada do mioma. Mas a cirurgia envolve decisões em tempo real. A equipe acompanha sangramento, posição dos miomas, profundidade na parede do útero, necessidade de reforço na sutura e condições gerais da paciente durante todo o procedimento.

Outro ponto importante é que o objetivo não é apenas retirar o que aparece no exame, mas fazer isso preservando o máximo possível a anatomia e a função uterina. Em mulheres com desejo reprodutivo, esse cuidado ganha ainda mais peso. Em pacientes sem desejo de gestação, a preservação do útero pode continuar sendo importante por preferência pessoal, impacto na autoestima e planejamento terapêutico.

Também é preciso falar com honestidade sobre limites. Nem sempre é possível retirar absolutamente todos os miomas, e nem toda miomectomia elimina a chance de novos miomas surgirem no futuro. Isso depende da idade, do padrão hormonal, da quantidade de nódulos e das características individuais de cada organismo.

A recuperação depois da cirurgia

O pós-operatório varia conforme a via cirúrgica, o porte da cirurgia e a resposta do organismo. Em miomectomias histeroscópicas, a alta pode ocorrer no mesmo dia ou em curto período de observação. Na laparoscopia, muitas pacientes têm recuperação relativamente rápida, com menos desconforto abdominal. Na cirurgia aberta, o tempo de internação e o retorno pleno às atividades costumam ser mais longos.

Nos primeiros dias, é comum haver dor leve a moderada, sensação de cansaço, cólicas e algum sangramento vaginal discreto em determinadas técnicas. A equipe orienta o uso de medicações, repouso relativo, cuidados com a ferida operatória quando houver corte abdominal e sinais de alerta. Febre, sangramento excessivo, dor intensa fora do esperado, secreção com odor forte e dificuldade importante para urinar ou evacuar precisam ser comunicados.

A volta ao trabalho, aos exercícios físicos e às relações sexuais não segue uma regra única. Ela depende da técnica utilizada e da evolução da paciente. Tentar acelerar essa etapa por conta própria pode prejudicar a cicatrização. Por isso, o acompanhamento pós-operatório é parte da cirurgia, não um detalhe depois dela.

Miomectomia afeta gravidez futura?

Essa é uma dúvida muito frequente e a resposta é: depende do tipo de mioma, da profundidade da cirurgia e da forma como o útero precisou ser reconstruído. Em muitas mulheres, a miomectomia melhora sintomas e pode inclusive favorecer o planejamento reprodutivo quando os miomas interferem na fertilidade ou na cavidade uterina.

Por outro lado, após determinadas miomectomias, pode ser recomendado aguardar um período antes de tentar engravidar. Em alguns casos, o parto futuro pode precisar ser cesariano, especialmente quando houve incisões mais profundas na parede do útero. Essa orientação não é automática para todas as pacientes, mas deve ser discutida com clareza ainda no pré-operatório.

Quando a cirurgia vale a pena

A melhor indicação acontece quando os sintomas, os exames e os objetivos da paciente apontam que retirar os miomas trará mais benefício do que manter apenas observação ou tratamento medicamentoso. Se o mioma não causa sintomas e não interfere na cavidade uterina, muitas vezes o acompanhamento clínico é suficiente. Já em casos de sangramento importante, anemia, dor, compressão de órgãos vizinhos ou impacto reprodutivo, a cirurgia passa a ter um papel mais claro.

É nesse ponto que uma consulta detalhada muda a experiência da paciente. Avaliar tamanho e localização dos miomas, desejo de gestação, idade, histórico cirúrgico e expectativa de recuperação permite escolher a estratégia mais segura. Em atendimento individualizado, como o realizado pelo Dr. Adalberto Reis Duarte, essa decisão é construída com informação objetiva, acolhimento e foco real no que faz sentido para cada mulher.

Se você recebeu indicação de miomectomia ou está tentando entender se a cirurgia é o melhor caminho, vale levar suas dúvidas para uma avaliação especializada. Entender o procedimento de forma clara não elimina todas as inseguranças, mas transforma medo em preparo – e isso faz diferença em cada etapa do cuidado.

Dr Adalberto Reis Duarte - Obstetra e Cirurgião Ginecológico

 

Dr. Adalberto Reis Duarte é médico especialista em Ginecologia e Obstetrícia, com atuação em pré-natal de alto risco, pré-natal de risco habitual, parto cirúrgico e cirurgias ginecológicas.

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