Dr Adalberto Reis Duarte Ginecologista e Obstetra

92- Mioma causa infertilidade feminina?

Ilustração em aquarela com o Dr. Adalberto Reis Duarte, ginecologista e obstetra, em destaque à esquerda com jaleco branco e estetoscópio. Ao fundo em tons suaves, elementos médicos representam a infertilidade feminina por mioma: um útero com miomas uterinos, um óvulo sendo fertilizado por um espermatozoide e uma mulher expressando preocupação com a mão na cabeça.

Receber o diagnóstico de mioma costuma trazer duas angústias ao mesmo tempo: o medo de uma cirurgia e a dúvida sobre fertilidade. Quando a mulher pretende engravidar, essa preocupação ganha ainda mais peso. Afinal, mioma causa infertilidade feminina? A resposta correta é: pode causar, mas não em todos os casos.

Esse é um ponto importante porque muitas pacientes convivem com miomas e engravidam sem dificuldade, enquanto outras enfrentam falhas para engravidar, perdas gestacionais ou sintomas intensos que exigem investigação cuidadosa. O que define o impacto do mioma não é apenas a presença dele, mas principalmente o tamanho, a quantidade e, sobretudo, a localização dentro do útero.

Mioma causa infertilidade feminina em todos os casos?

Não. Mioma é um tumor benigno do útero, muito frequente na vida reprodutiva. Em boa parte das mulheres, ele pode existir sem impedir a gestação. O problema é que alguns miomas alteram a anatomia da cavidade uterina, dificultam a implantação do embrião ou aumentam o risco de sangramento e inflamação local.

Por isso, não faz sentido tratar todos os miomas da mesma maneira. Há pacientes em que o mioma é apenas um achado de exame e pode ser acompanhado. Em outras, ele está diretamente relacionado à dificuldade para engravidar ou a abortamentos de repetição. O raciocínio médico precisa ser individualizado.

O que faz um mioma interferir na fertilidade?

O principal fator é a localização. Os miomas submucosos, que crescem próximos ao revestimento interno do útero e deformam a cavidade uterina, são os que mais se associam à infertilidade e às perdas gestacionais. Mesmo quando são menores, podem ter impacto importante porque ocupam justamente a área onde o embrião precisa se implantar.

Os miomas intramurais, que ficam na parede do útero, exigem uma análise mais cuidadosa. Alguns não causam repercussão relevante, mas outros, especialmente os maiores ou os que distorcem a cavidade, podem reduzir as chances de gravidez. Já os miomas subserosos, localizados mais externamente, em geral têm menor relação com infertilidade, embora possam causar dor, sensação de peso ou aumento do volume abdominal.

Além da localização, também pesam o número de miomas, o tamanho das lesões e o histórico da paciente. Uma mulher com cólicas intensas, sangramento importante e dificuldade para engravidar merece uma avaliação diferente daquela que descobriu um pequeno mioma por acaso em um exame de rotina.

Sinais de que o mioma pode estar atrapalhando a gravidez

Nem sempre o corpo dá sinais muito claros, mas alguns quadros chamam atenção. Sangramento menstrual excessivo, cólicas fortes, anemia, dor pélvica, sensação de pressão na bexiga e aumento do volume abdominal podem acompanhar miomas uterinos. Quando isso se associa a tentativas frustradas de engravidar, o mioma passa a ser uma hipótese clínica relevante.

Também merece investigação a paciente que já engravidou, mas apresenta perdas gestacionais repetidas. Em certos casos, o mioma não impede a fecundação, mas dificulta a manutenção da gestação. Isso acontece principalmente quando a cavidade do útero está comprometida.

É por isso que a consulta não se limita a olhar o exame e medir o nódulo. A história clínica, a idade reprodutiva, o tempo de tentativa de gravidez e os sintomas fazem parte da decisão.

Como confirmar se o mioma é a causa da infertilidade

Esse diagnóstico exige critério. Nem toda infertilidade em uma mulher com mioma é causada por ele. Outras condições podem estar envolvidas, como alteração de ovulação, endometriose, fator tubário e fator masculino. Quando o mioma aparece no exame, o desafio é entender se ele é protagonista no problema ou apenas um achado associado.

A avaliação geralmente começa com exame ginecológico e ultrassonografia. Em alguns casos, a histeroscopia e exames de imagem complementares ajudam a definir se a cavidade uterina está deformada. Esse detalhe muda a conduta, porque um mioma pequeno em uma posição desfavorável pode ser mais importante do que um maior localizado na parte externa do útero.

Uma condução segura evita dois erros comuns: operar sem necessidade e, no extremo oposto, adiar um tratamento quando o mioma já está reduzindo as chances de gestação.

Quando tratar o mioma para tentar engravidar

O tratamento costuma ser considerado quando o mioma deforma a cavidade uterina, quando há sintomas importantes ou quando existe forte suspeita de relação com infertilidade ou abortamento. Nesses cenários, tratar pode melhorar o ambiente uterino e aumentar a chance de gravidez.

Mas existe um ponto de equilíbrio. Nem todo mioma precisa de cirurgia antes de uma tentativa de gestação. Em algumas pacientes, o melhor caminho é observar, acompanhar e direcionar o plano reprodutivo com mais rapidez, especialmente quando a idade já pesa contra o tempo fértil.

A decisão também depende do desejo reprodutivo. Para a mulher que quer preservar o útero e engravidar, a estratégia costuma ser diferente daquela que já completou a prole e busca resolver sangramento ou dor.

Miomectomia pode ajudar?

Sim, em casos selecionados. A miomectomia é a cirurgia para retirada dos miomas com preservação do útero. Ela pode ser feita por diferentes vias, conforme o tipo, o número e a localização dos miomas. Quando bem indicada, é um tratamento importante para pacientes que desejam gestação futura.

Nos miomas submucosos, a histeroscopia cirúrgica costuma ter papel relevante, principalmente quando a lesão é pequena ou moderada e acessível por dentro da cavidade uterina. Em miomas maiores, múltiplos ou profundos, outras abordagens podem ser mais adequadas. O que importa é que a técnica escolhida respeite a segurança da paciente e o objetivo reprodutivo.

Ainda assim, cirurgia não é solução automática. Ela traz benefícios potenciais, mas também exige planejamento, tempo de recuperação e avaliação do melhor momento para tentar engravidar depois do procedimento.

Mioma na gravidez é sempre perigoso?

Não necessariamente. Muitas mulheres descobrem o mioma já grávidas e seguem com gestação sem grandes intercorrências. No entanto, dependendo do tamanho e da localização, ele pode aumentar o risco de dor, sangramento, apresentação fetal inadequada, parto prematuro e necessidade de cesariana.

Por isso, o acompanhamento precisa ser próximo e individualizado. Em obstetrícia, generalizações costumam atrapalhar mais do que ajudar. O mesmo mioma pode ter comportamento diferente conforme a paciente, o número de gestações anteriores e a evolução da gravidez.

O que fazer se você quer engravidar e descobriu um mioma

O primeiro passo é não assumir nem que o mioma impede a gravidez, nem que ele é irrelevante. Esses dois extremos atrasam decisões importantes. Se existe desejo reprodutivo, vale buscar avaliação ginecológica focada em fertilidade e em anatomia uterina.

Na prática, a pergunta central não é apenas “tenho mioma?”, mas “esse mioma está alterando minha chance de engravidar ou manter uma gestação?”. Quando essa pergunta é respondida com clareza, o tratamento deixa de ser genérico e passa a ser realmente útil.

Para algumas mulheres, a melhor conduta será acompanhar com exames periódicos. Para outras, a retirada do mioma antes da tentativa pode fazer diferença. Também há casos em que o tratamento precisa ser combinado com investigação de outras causas de infertilidade. Segurança clínica significa exatamente isso: avaliar o quadro inteiro, e não apenas um achado isolado.

Em um atendimento individualizado, essa análise permite definir com mais precisão se é hora de observar, tratar ou acelerar o planejamento gestacional. Para pacientes que buscam esse tipo de cuidado, inclusive em Belém, Ananindeua ou por telemedicina, uma consulta bem conduzida costuma reduzir a ansiedade e trazer um caminho mais objetivo.

Se você recebeu esse diagnóstico e está preocupada com fertilidade, vale lembrar: mioma não é sinônimo de infertilidade, mas também não deve ser minimizado quando há sintomas, perdas gestacionais ou dificuldade para engravidar. O melhor próximo passo é entender o seu caso com profundidade, porque é isso que transforma dúvida em decisão segura.

 

Dr. Adalberto Reis Duarte é médico especialista em Ginecologia e Obstetrícia, com atuação em pré-natal de alto risco, pré-natal de risco habitual, parto cirúrgico e cirurgias ginecológicas.

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