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Dr Adalberto Reis Duarte Ginecologista e Obstetra

141- Tratamento cirúrgico da gravidez ectópica

Tratamento cirúrgico da gravidez ectópica

Uma dor forte de um lado do abdome, sangramento vaginal fora do esperado ou tontura no início da gestação exigem avaliação médica sem demora. O tratamento cirúrgico da gravidez ectópica pode ser necessário para interromper uma condição que não tem possibilidade de evolução saudável e que, sem assistência rápida, pode causar hemorragia interna grave. Receber esse diagnóstico costuma ser doloroso e assustador, mas informação clara e atendimento ágil ajudam a conduzir cada etapa com mais segurança.

O que é uma gravidez ectópica?

A gravidez ectópica ocorre quando o embrião se implanta fora da cavidade do útero. Na maioria das vezes, a implantação acontece em uma das tubas uterinas, estruturas delicadas que conectam os ovários ao útero. Com menor frequência, pode ocorrer no ovário, no colo do útero, na cicatriz de uma cesariana anterior ou em outras regiões da pelve.

A tuba não possui condições de se distender como o útero durante uma gestação. À medida que a gravidez evolui, há risco de ruptura e sangramento dentro do abdome. Por isso, não é possível transferir uma gestação ectópica para o útero nem aguardar seu desenvolvimento. A prioridade é sempre preservar a saúde e a vida da paciente.

Nem toda gravidez ectópica apresenta sintomas intensos logo no começo. Algumas mulheres relatam atraso menstrual, teste de gravidez positivo, sangramento discreto e cólica pélvica. Outras apresentam dor que piora progressivamente, dor no ombro, fraqueza, palidez, desmaio ou sensação de desfalecimento. Esses sinais podem indicar sangramento interno e demandam atendimento de urgência.

Como o diagnóstico orienta a decisão

A decisão entre acompanhamento, tratamento medicamentoso ou cirurgia depende de uma avaliação individualizada. O diagnóstico costuma reunir a história clínica, o exame físico, a dosagem seriada do beta-hCG e a ultrassonografia transvaginal. Em algumas situações iniciais, ainda pode ser preciso repetir exames para confirmar a localização da gestação e acompanhar sua evolução.

Quando a paciente está estável, a lesão é pequena e determinados critérios clínicos e laboratoriais são atendidos, o metotrexato pode ser uma alternativa ao procedimento cirúrgico. Esse medicamento interrompe a evolução do tecido gestacional, mas exige acompanhamento rigoroso até que o beta-hCG se torne negativo. Não é uma opção segura para todos os casos.

A cirurgia tende a ser indicada quando há suspeita ou confirmação de ruptura tubária, sangramento interno, instabilidade clínica, dor importante, níveis elevados de beta-hCG, massa ectópica maior ou contraindicação ao tratamento medicamentoso. Também pode ser a melhor escolha quando o tratamento com medicamento não produz a resposta esperada.

A rapidez da definição não significa falta de cuidado na decisão. Significa reconhecer que uma gravidez ectópica pode mudar de gravidade em pouco tempo. A equipe médica avalia os exames, os sintomas, o desejo reprodutivo e as condições anatômicas encontradas para indicar a conduta mais segura.

Tratamento cirúrgico da gravidez ectópica: quais são as opções?

Quando há indicação operatória, a via preferencial, sempre que possível, é a videolaparoscopia. Nesse procedimento, são feitas pequenas incisões no abdome para a introdução de uma câmera e instrumentos cirúrgicos. A imagem ampliada permite visualizar a pelve, controlar sangramentos e tratar a gestação ectópica com precisão.

Em geral, a videolaparoscopia está associada a incisões menores, menos desconforto no pós-operatório e recuperação mais rápida em comparação com a cirurgia aberta. No entanto, a escolha não deve ser baseada apenas no tamanho dos cortes. Em casos de hemorragia intensa, instabilidade hemodinâmica, dificuldade técnica ou achados específicos durante a cirurgia, a laparotomia pode ser necessária. Trata-se da abertura abdominal convencional, indicada quando oferece acesso mais rápido e seguro para controlar a situação.

Salpingostomia: retirada da gestação e preservação da tuba

Na salpingostomia, o cirurgião realiza uma pequena abertura na tuba para remover o tecido gestacional, buscando preservar a estrutura tubária. Essa possibilidade pode ser considerada especialmente quando a tuba contralateral apresenta alterações ou quando há preocupação relevante com a fertilidade futura.

Preservar a tuba, porém, não significa que ela ficará necessariamente com funcionamento normal. Além disso, pode permanecer uma pequena quantidade de tecido gestacional, o que exige acompanhamento do beta-hCG após a cirurgia. Se o hormônio não cair como esperado, pode ser necessário tratamento complementar.

Salpingectomia: retirada da tuba afetada

A salpingectomia é a remoção da tuba onde ocorreu a gravidez ectópica. Costuma ser indicada quando há ruptura, sangramento significativo, lesão extensa da tuba ou nova gravidez ectópica na mesma estrutura. Quando a outra tuba é saudável, a retirada de uma tuba não impede, por si só, uma futura gravidez espontânea.

A indicação deve ser conversada com honestidade. Em uma urgência, a principal meta é conter o sangramento e proteger a paciente. Em situações estáveis, é possível discutir com mais calma os achados, as alternativas e os impactos reprodutivos previstos.

Fertilidade após a cirurgia

Uma das dúvidas mais frequentes é: “Ainda poderei engravidar?” Para muitas mulheres, a resposta é sim. A chance de uma gestação futura depende da saúde da tuba restante, da idade, da reserva ovariana, de histórico de infecção pélvica, endometriose, cirurgias anteriores e da causa provável da gravidez ectópica.

Ter tido uma gravidez ectópica aumenta o risco de recorrência, mas isso não determina que ela acontecerá novamente. Em uma próxima gestação, o ideal é procurar o obstetra assim que houver teste positivo. A dosagem do beta-hCG e a ultrassonografia precoce permitem confirmar a localização gestacional e oferecem mais tranquilidade.

Caso as duas tubas estejam comprometidas ou não seja possível engravidar espontaneamente, técnicas de reprodução assistida podem ser avaliadas conforme cada história. Esse planejamento não precisa acontecer no momento da urgência, mas merece espaço em uma consulta de acompanhamento, com escuta e orientação individualizada.

Recuperação e cuidados após o procedimento

O tempo de recuperação varia conforme a técnica realizada, a presença de sangramento interno, as condições de saúde da paciente e a necessidade de uma cirurgia aberta. Após videolaparoscopia, muitas pacientes retomam atividades leves em poucos dias, embora o organismo precise de mais tempo para uma recuperação completa. Depois de laparotomia, a recuperação costuma ser mais gradual.

É comum haver dor abdominal leve a moderada, cansaço, pequeno sangramento vaginal e desconforto na região das incisões nos primeiros dias. Analgésicos, repouso relativo e retorno médico fazem parte do cuidado. As relações sexuais, exercícios físicos, direção e retorno ao trabalho devem seguir a liberação do cirurgião, pois não existe uma orientação única adequada para todas as pacientes.

Procure avaliação imediata se houver febre, dor que se intensifica, sangramento vaginal volumoso, secreção com mau cheiro, vermelhidão ou saída de secreção pela ferida, falta de ar, tontura importante ou desmaio. Esses sintomas não devem ser normalizados no pós-operatório.

Se o seu tipo sanguíneo for Rh negativo, a equipe também avaliará a necessidade de imunoglobulina anti-D. Essa medida pode ser importante para reduzir riscos relacionados a futuras gestações em situações específicas.

O cuidado emocional também faz parte do tratamento

Mesmo quando a gravidez era muito inicial, a perda pode gerar tristeza, culpa, medo ou sensação de isolamento. Não há uma forma “certa” de reagir. Algumas mulheres desejam conversar logo sobre novas tentativas; outras precisam de tempo para processar a experiência. Ambas as respostas são legítimas.

A gravidez ectópica não acontece por falta de cuidado da paciente. Em muitos casos, não é possível identificar uma causa única. Ter uma equipe que explique o que ocorreu, responda às dúvidas e acompanhe a recuperação faz diferença tanto na segurança clínica quanto no acolhimento emocional.

Em Belém, Ananindeua e também por telemedicina para orientações iniciais e acompanhamento, uma consulta individualizada permite avaliar sintomas, exames e planos reprodutivos com a atenção que esse momento exige. Diante de dor intensa, desmaio ou sangramento importante, a prioridade deve ser buscar atendimento de urgência. Depois da fase aguda, o acompanhamento cuidadoso ajuda a transformar uma experiência difícil em um caminho mais seguro para a saúde e para os próximos planos.

Dr. Adalberto Reis Duarte

 

Dr. Adalberto Reis Duarte é médico especialista em Ginecologia e Obstetrícia, com atuação em pré-natal de alto risco, pré-natal de risco habitual, parto cirúrgico e cirurgias ginecológicas.

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