Dr Adalberto Reis Duarte Ginecologista e Obstetra

13- Ooforectomia: quando é indicada?

Ooforectomia: quando é indicada?

Receber a informação de que um ovário talvez precise ser removido costuma gerar um impacto imediato. A dúvida vem rápido: afinal, ooforectomia quando é indicada de verdade, e quando existem alternativas mais conservadoras? Essa é uma decisão que exige critério, avaliação individual e uma conversa franca sobre benefícios, riscos e repercussões hormonais.

A ooforectomia é a cirurgia para retirada de um ou dos dois ovários. Em alguns casos, ela é feita sozinha. Em outros, pode fazer parte de um tratamento cirúrgico maior, junto com a retirada de cistos, trompas, útero ou tratamento de endometriose. O ponto central é este: nem todo problema no ovário exige retirada, e a indicação correta depende da idade da paciente, dos sintomas, do desejo reprodutivo, do risco oncológico e dos achados nos exames.

Ooforectomia: quando é indicada na prática?

Na rotina ginecológica, a indicação mais comum acontece quando há suspeita de que manter o ovário pode representar um risco maior do que removê-lo. Isso pode ocorrer diante de massas ovarianas com características suspeitas, tumores, torção ovariana com comprometimento importante do órgão, abscessos graves, endometriose extensa ou situações em que a dor e a recorrência do problema passam a comprometer de forma importante a qualidade de vida.

Também existem cenários preventivos. Mulheres com risco hereditário elevado para câncer de ovário, especialmente em contextos familiares específicos e após avaliação adequada, podem receber indicação de ooforectomia redutora de risco. Nesses casos, a cirurgia não é decidida apenas por um exame isolado. Ela faz parte de um raciocínio clínico mais amplo, que considera histórico familiar, idade, planejamento reprodutivo e aconselhamento individualizado.

Quando o ovário apresenta um cisto simples e benigno, por exemplo, a conduta pode ser apenas acompanhamento. Em outras situações, é possível remover apenas o cisto e preservar o ovário. Por isso, ouvir que existe uma alteração ovariana não significa automaticamente que a retirada será necessária.

Principais situações que podem levar à cirurgia

Uma das indicações mais relevantes é a presença de massa ovariana suspeita. O tamanho do cisto, o aspecto no ultrassom, a presença de septações, componentes sólidos, vascularização e alterações associadas ajudam a definir o grau de preocupação. A menopausa também pesa nessa análise, porque o risco de malignidade muda com a faixa etária.

Outra situação importante é a torção ovariana. Nesse quadro, o ovário gira sobre seus próprios ligamentos, comprometendo a circulação sanguínea. A paciente costuma apresentar dor pélvica súbita e intensa, muitas vezes acompanhada de náuseas e vômitos. Quando o tecido já está inviável ou muito comprometido, a ooforectomia pode ser necessária.

A endometriose profunda também pode entrar nessa discussão. Em algumas pacientes, o ovário fica tomado por endometriomas recorrentes, dor persistente e aderências extensas. Ainda assim, a retirada do ovário não é a regra para todas. Em mulheres jovens, principalmente aquelas que desejam engravidar, a preservação ovariana é sempre considerada com muita atenção.

Infecções pélvicas graves, com formação de abscesso tubo-ovariano e falha de tratamento clínico, são outro exemplo. Nesses casos, a cirurgia pode ser indicada para controlar infecção, aliviar sintomas e evitar complicações maiores.

A retirada é sempre de ambos os ovários?

Não. A ooforectomia pode ser unilateral, quando apenas um ovário é removido, ou bilateral, quando os dois são retirados. Essa diferença muda bastante o impacto da cirurgia.

Quando apenas um ovário é retirado, o outro pode continuar exercendo função hormonal e reprodutiva. Muitas mulheres seguem menstruando normalmente e, dependendo do contexto, podem engravidar. Já na ooforectomia bilateral, ocorre perda importante da produção hormonal ovariana, o que provoca menopausa cirúrgica em mulheres que ainda não estavam menopausadas.

Essa distinção precisa ser conversada com clareza antes da cirurgia. Em alguns casos, a decisão final sobre preservar ou não o ovário depende do que é encontrado no intraoperatório, sempre dentro do planejamento previamente discutido com a paciente.

O que o médico avalia antes de indicar ooforectomia

A decisão cirúrgica não se baseia em um único fator. O médico considera os sintomas, o exame físico, os achados de ultrassom ou ressonância, a idade da paciente, antecedentes pessoais e familiares, histórico de câncer na família, desejo de gestação e o impacto do quadro na rotina.

Exames laboratoriais e marcadores tumorais podem ser úteis em situações selecionadas, mas não funcionam sozinhos como resposta definitiva. Um marcador alterado não fecha diagnóstico de câncer, assim como um resultado normal não exclui completamente risco. O valor está na interpretação conjunta.

Além disso, existe uma pergunta muito importante: é possível tratar preservando o ovário com segurança? Quando a resposta é sim, essa alternativa costuma ser considerada com seriedade, sobretudo em mulheres em idade reprodutiva.

Benefícios e limites da cirurgia

Quando bem indicada, a ooforectomia pode trazer resolução do problema, controle de dor, prevenção de complicações e tratamento adequado de doenças potencialmente graves. Em casos oncológicos ou de alto risco, ela pode representar uma medida decisiva para proteção da saúde.

Mas existe um outro lado que precisa ser explicado sem pressa. A retirada ovariana, especialmente bilateral, pode levar a sintomas hormonais como ondas de calor, ressecamento vaginal, alterações do sono, queda de libido e impacto ósseo e cardiovascular ao longo do tempo. Em pacientes mais jovens, essa repercussão tende a ser ainda mais relevante.

Por isso, a cirurgia não deve ser tratada como uma solução automática. A melhor conduta é aquela que resolve o problema com o menor custo biológico possível, sem comprometer a segurança.

Como é feita a ooforectomia

A técnica depende do caso clínico, do tamanho da lesão, da suspeita diagnóstica e das condições da paciente. Em muitos casos, a cirurgia pode ser realizada por videolaparoscopia, uma abordagem minimamente invasiva que costuma proporcionar recuperação mais rápida, menos dor no pós-operatório e retorno mais precoce às atividades.

Em situações mais complexas, com massa muito volumosa, aderências extensas, suspeita de malignidade ou necessidade de procedimento maior, pode ser necessária outra via cirúrgica. O planejamento é individualizado.

A boa cirurgia começa antes do centro cirúrgico. Explicação clara, preparo adequado, avaliação de riscos e alinhamento de expectativas fazem diferença real na experiência da paciente.

Ooforectomia quando é indicada em mulheres jovens?

Essa costuma ser uma das maiores angústias no consultório. Em mulheres jovens, a preservação da função hormonal e da fertilidade tem peso grande na decisão. Por isso, sempre que existe possibilidade de tratamento conservador sem perda de segurança, essa opção ganha força.

Ao mesmo tempo, há cenários em que adiar a cirurgia pode aumentar risco, prolongar sofrimento ou comprometer o resultado. Uma massa suspeita, uma torção com necrose ou um quadro infeccioso grave exigem ação mais rápida. O desafio é justamente equilibrar proteção oncológica, controle do problema e preservação da saúde reprodutiva quando possível.

Essa é a razão pela qual cada caso precisa ser visto de forma individual. Duas pacientes com “cisto no ovário” podem ter condutas completamente diferentes.

O pós-operatório e a recuperação

A recuperação varia conforme o tipo de cirurgia e a extensão do procedimento. Em geral, cirurgias minimamente invasivas tendem a permitir alta mais precoce e retorno progressivo à rotina. Mesmo assim, existe um período de cuidado com esforço físico, dor, cicatrização e acompanhamento médico.

Quando há retirada dos dois ovários antes da menopausa natural, o seguimento fica ainda mais importante. Algumas pacientes podem precisar discutir reposição hormonal, sempre com avaliação individual e levando em conta contraindicações e perfil clínico.

Além dos aspectos físicos, o impacto emocional merece atenção. A retirada de um ovário ou dos dois pode mobilizar medos ligados à feminilidade, fertilidade, sexualidade e futuro reprodutivo. Informação correta e acolhimento fazem parte do tratamento.

Quando buscar avaliação especializada

Dor pélvica persistente, aumento do volume abdominal, sensação de pressão na pelve, alterações em exames ginecológicos, histórico familiar de câncer de ovário ou mama e diagnósticos prévios de cistos complexos são motivos para avaliação cuidadosa. Nem sempre existe urgência, mas também não é prudente adiar sem entender o quadro.

Em um atendimento especializado, a paciente consegue compreender melhor o que realmente está acontecendo, quais exames são necessários, se a cirurgia faz sentido e qual é a abordagem mais segura para o seu caso. Esse tipo de orientação reduz medo e evita tanto excessos quanto atrasos no tratamento.

No consultório do Dr. Adalberto Reis Duarte, a avaliação cirúrgica ginecológica é conduzida com foco em segurança, explicação clara e decisão individualizada, respeitando a história, os sintomas e os planos de cada mulher.

Quando existe indicação de ooforectomia, a melhor decisão não é a mais rápida nem a mais radical por princípio. É a que combina precisão diagnóstica, técnica cirúrgica adequada e um cuidado humano que faça a paciente se sentir segura em um momento delicado.

Dr Adalberto Reis Duarte - Obstetra e Cirurgião Ginecológico

 

 

Dr. Adalberto Reis Duarte é médico especialista em Ginecologia e Obstetrícia, com atuação em pré-natal de alto risco, pré-natal de risco habitual, parto cirúrgico e cirurgias ginecológicas.

 

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