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Dr Adalberto Reis Duarte Ginecologista e Obstetra

192- Prolapso uterino e opções de tratamento

Prolapso uterino e opções de tratamento

O prolapso uterino pode causar uma sensação persistente de peso ou de “bola” na vagina, desconforto para caminhar, alterações urinárias e impacto na vida sexual. Muitas mulheres convivem com esses sinais por anos, acreditando que são uma consequência inevitável da idade ou dos partos. Não são. Há formas seguras de avaliar o problema e definir um tratamento adequado para cada fase da vida.

O que é prolapso uterino?

O prolapso uterino acontece quando o útero desce pelo canal vaginal devido ao enfraquecimento dos músculos, fáscias e ligamentos que sustentam os órgãos pélvicos. Em quadros mais avançados, o colo do útero ou o próprio útero pode ficar visível na entrada da vagina ou exteriorizar-se.

Esse enfraquecimento nem sempre ocorre isoladamente. O prolapso pode estar associado à queda da bexiga, chamada cistocele, ou à projeção do reto em direção à vagina, conhecida como retocele. Por isso, a consulta ginecológica precisa avaliar todo o assoalho pélvico, e não apenas o útero.

A condição não é câncer e, na maior parte das vezes, não representa uma urgência. Ainda assim, merece atenção porque pode comprometer o conforto, a autonomia, o sono, a eliminação de urina e fezes e a confiança da paciente em sua rotina.

Sintomas que merecem avaliação

A intensidade dos sintomas varia conforme o grau do prolapso e a presença de outras alterações pélvicas. Algumas mulheres têm um prolapso discreto identificado em exame de rotina e não sentem incômodo. Outras percebem limitações importantes nas atividades diárias.

Os sinais mais frequentes incluem sensação de pressão na pelve ou na vagina, percepção de abaulamento vaginal, dor lombar ou pélvica, desconforto após permanecer muito tempo em pé e dificuldade durante a relação sexual. Também podem ocorrer escape de urina, vontade frequente de urinar, dificuldade para esvaziar a bexiga, infecções urinárias recorrentes, constipação ou necessidade de fazer força para evacuar.

Quando houver dificuldade intensa para urinar, retenção urinária, sangramento, feridas na região exteriorizada ou dor importante, a avaliação deve ser antecipada. Esses sinais precisam de orientação médica sem esperar a próxima consulta de rotina.

Por que o útero perde sustentação?

A causa é multifatorial. A gestação e o parto vaginal podem distender e lesar estruturas do assoalho pélvico, especialmente em partos prolongados, fetos maiores, uso de fórceps ou lacerações importantes. No entanto, seria injusto atribuir o problema apenas ao parto: há mulheres que nunca tiveram parto vaginal e desenvolvem prolapso, enquanto muitas que tiveram partos vaginais jamais apresentarão essa condição.

A menopausa também tem papel relevante. Com a redução do estrogênio, os tecidos podem perder elasticidade e resistência. Envelhecimento, histórico familiar de fragilidade do tecido conjuntivo, obesidade, tosse crônica, constipação persistente e atividades que aumentam repetidamente a pressão dentro do abdome podem contribuir.

Cirurgias pélvicas anteriores, incluindo a retirada do útero em algumas situações, também exigem avaliação individualizada. Cada caso tem uma história própria, e identificar os fatores envolvidos ajuda a planejar a melhor estratégia de cuidado.

Como é feito o diagnóstico do prolapso uterino

O diagnóstico costuma ser clínico, por meio de conversa detalhada e exame ginecológico. A paciente deve relatar com liberdade quando os sintomas começaram, se pioram ao esforço, como está a função urinária e intestinal, se existe desejo de manter relações sexuais e se há planos de gestação futura.

No exame, o ginecologista avalia a posição do útero, da bexiga e do reto, além do grau de descida dos órgãos. Em alguns casos, exames complementares são indicados para investigar sintomas urinários, sangramento, alterações no útero ou outras condições que possam coexistir.

O grau do prolapso é útil para organizar a conduta, mas não decide o tratamento sozinho. Uma alteração de grau menor pode causar muito incômodo em uma paciente, enquanto outra mulher pode adaptar-se bem a um achado mais evidente. O que orienta a decisão é a combinação entre exame, sintomas, saúde geral e expectativas da paciente.

Tratamentos sem cirurgia: quando podem ser indicados

Nem todo prolapso uterino precisa de cirurgia. Quando os sintomas são leves, quando há contraindicações cirúrgicas ou quando a paciente prefere uma abordagem inicial conservadora, existem alternativas eficazes para controle do desconforto.

A fisioterapia do assoalho pélvico pode fortalecer a musculatura e melhorar a percepção corporal, sobretudo nos casos iniciais e quando há perda urinária associada. Os exercícios precisam de orientação adequada: fazer contrações sem técnica ou com expectativa de “subir” um prolapso avançado pode gerar frustração. A fisioterapia costuma ser parte do tratamento, mas não substitui a cirurgia em todos os cenários.

Outra possibilidade é o pessário vaginal, um dispositivo de silicone colocado na vagina para dar sustentação aos órgãos pélvicos. Ele pode ser uma boa escolha temporária ou de longo prazo, desde que haja acompanhamento para ajustar o tamanho, prevenir irritações e orientar os cuidados necessários. Para algumas mulheres na menopausa, o tratamento local com estrogênio pode ser considerado pelo ginecologista, respeitando contraindicações e histórico de saúde.

Medidas como tratar constipação e tosse crônica, manter peso compatível com a saúde e evitar esforços repetitivos também ajudam a reduzir a pressão sobre o assoalho pélvico. Elas não corrigem todos os casos, mas protegem o resultado de qualquer tratamento escolhido.

Cirurgia para prolapso uterino: qual é a melhor técnica?

A cirurgia é considerada quando o prolapso provoca sintomas relevantes, não melhora com medidas conservadoras ou quando há exteriorização importante. O objetivo é restaurar a sustentação dos órgãos pélvicos, aliviar os sintomas e preservar a qualidade de vida com a maior segurança possível.

Não existe uma única cirurgia ideal para todas as pacientes. A escolha depende da idade, das condições clínicas, do grau de prolapso, da presença de cistocele, retocele ou incontinência urinária, da atividade sexual e do desejo de preservar o útero. Também é necessário conversar sobre expectativa de recuperação, risco de recorrência e possíveis efeitos sobre a função sexual e urinária.

Em situações selecionadas, é possível corrigir o prolapso preservando o útero por técnicas de suspensão. A colpossacrofixação é uma alternativa que fixa a região vaginal ou uterina a estruturas de sustentação na pelve, frequentemente por via minimamente invasiva quando indicada. Essa abordagem pode proporcionar boa sustentação e recuperação mais confortável, mas sua indicação depende de avaliação cuidadosa.

Quando há indicação de retirada do útero, a histerectomia pode fazer parte do tratamento, associada à correção dos defeitos de sustentação vaginal. Já a colpocleise é uma opção para pacientes que não desejam manter atividade sexual vaginal e precisam de uma solução cirúrgica efetiva para prolapsos avançados. A decisão deve ser tomada sem pressa, com informação clara e respeito às prioridades da mulher.

Se houver incontinência urinária de esforço associada, pode ser necessário planejar um procedimento complementar, como o sling transobturatório. Tratar apenas a sensação de abaulamento sem investigar a função da bexiga pode deixar sintomas importantes sem solução. Por isso, a análise completa antes da cirurgia faz diferença no resultado.

O que esperar da recuperação

O tempo de recuperação depende da técnica utilizada, da extensão da correção e das condições de saúde da paciente. Em geral, nas primeiras semanas, é necessário evitar esforço físico, levantamento de peso, exercícios de alto impacto e relações sexuais pelo período recomendado pelo cirurgião.

A recuperação não deve ser conduzida com comparações. Algumas pacientes voltam às atividades leves mais rapidamente, enquanto outras precisam de mais tempo. O acompanhamento pós-operatório permite avaliar cicatrização, controlar a dor, orientar o retorno gradual à rotina e esclarecer dúvidas antes que se transformem em insegurança.

Uma decisão que merece escuta e planejamento

Sentir peso vaginal, notar uma alteração ao se higienizar ou ter escapes de urina não deve ser motivo de vergonha. Uma avaliação especializada permite diferenciar o prolapso de outras condições e discutir alternativas reais, sem indicar cirurgia quando ela não é necessária e sem adiar um tratamento que pode devolver conforto à rotina.

Para pacientes de Belém, Ananindeua e região, a consulta presencial oferece exame detalhado e planejamento cirúrgico quando indicado. A telemedicina também pode ser um primeiro passo para orientar sintomas, avaliar a necessidade de atendimento presencial e organizar os próximos cuidados.

Cuidar do assoalho pélvico é cuidar da liberdade de se movimentar, trabalhar, dormir, viajar e viver a intimidade com mais tranquilidade. A melhor escolha começa com uma conversa acolhedora, exame criterioso e uma conduta construída para a sua realidade.

Dr. Adalberto Reis Duarte

 

Dr. Adalberto Reis Duarte é médico especialista em Ginecologia e Obstetrícia, com atuação em pré-natal de alto risco, pré-natal de risco habitual, parto cirúrgico e cirurgias ginecológicas.

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