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Dr Adalberto Reis Duarte Ginecologista e Obstetra

175- 5 sintomas de retocele feminina que merecem atenção

5 sintomas de retocele feminina que merecem atenção

Uma sensação de peso na vagina, dificuldade para evacuar ou a percepção de uma “bola” na região íntima podem causar preocupação e constrangimento. Esses sinais fazem parte dos 5 sintomas de retocele feminina mais relatados em consultório e merecem uma avaliação ginecológica, especialmente quando interferem na rotina, na vida sexual ou no bem-estar.

A retocele é uma alteração do assoalho pélvico em que a parede entre o reto e a vagina fica enfraquecida. Com isso, uma parte do reto pode fazer uma saliência em direção à parede vaginal posterior. Não é uma condição rara e não significa falta de cuidado com o corpo. Ela pode estar relacionada a gestações, partos vaginais, envelhecimento, menopausa, constipação intestinal crônica, esforços repetidos e características individuais dos tecidos.

O grau da retocele e o impacto dos sintomas variam muito. Algumas mulheres têm uma alteração discreta, identificada apenas durante o exame ginecológico, enquanto outras passam a limitar atividades, evitam relações sexuais ou enfrentam dificuldade frequente para evacuar. Entender os sinais ajuda a procurar assistência no momento adequado.

5 sintomas de retocele feminina

1. Sensação de peso, pressão ou abaulamento vaginal

Um dos sintomas mais característicos é sentir pressão na pelve ou um peso na vagina, sobretudo ao fim do dia, após permanecer muito tempo em pé, carregar peso ou fazer esforço. Algumas pacientes descrevem a impressão de que algo está “descendo” ou ocupando espaço dentro da vagina.

Em casos mais avançados, pode haver a percepção de uma saliência na entrada vaginal, que fica mais evidente ao tossir, evacuar ou realizar esforço físico. Nem toda sensação de peso significa retocele, pois outros prolapsos genitais e alterações ginecológicas também podem causar desconforto semelhante. Por isso, o exame físico é indispensável para definir a origem do problema.

2. Dificuldade para evacuar

A dificuldade evacuatória é um dos sinais que mais afetam a qualidade de vida. Como a parede do reto pode formar uma espécie de bolsa em direção à vagina, parte das fezes pode ficar retida nessa região. A mulher pode perceber que precisa fazer muita força, que a evacuação é incompleta ou que continua com vontade de ir ao banheiro mesmo depois de evacuar.

É comum atribuir o sintoma apenas à alimentação ou ao intestino preso. Embora fibras, hidratação e hábitos intestinais tenham papel relevante, a constipação persistente associada a sensação de abaulamento vaginal deve ser investigada. Forçar repetidamente para evacuar pode, inclusive, agravar o enfraquecimento do assoalho pélvico.

3. Necessidade de pressionar a vagina ou o períneo para evacuar

Algumas mulheres precisam usar os dedos para pressionar a parede posterior da vagina ou a região entre a vagina e o ânus, chamada períneo, a fim de conseguir evacuar. Esse comportamento, conhecido como manobra de auxílio evacuatório, pode ser bastante sugestivo de retocele com repercussão funcional.

Muitas pacientes demoram a comentar esse hábito por vergonha, mas ele é uma informação clínica muito valiosa. Não é preciso conviver com essa dificuldade em silêncio. Durante a consulta, o relato é acolhido de forma respeitosa e contribui para indicar a melhor abordagem, que pode envolver medidas clínicas, fisioterapia pélvica ou, em situações selecionadas, tratamento cirúrgico.

4. Desconforto ou dor durante a relação sexual

A retocele pode causar sensação de pressão, desconforto ou dor na penetração, principalmente quando há abaulamento importante, ressecamento vaginal ou outras alterações associadas do assoalho pélvico. A repercussão na intimidade não deve ser minimizada: além do incômodo físico, pode afetar autoestima, desejo e segurança na relação.

No entanto, dor durante a relação não confirma retocele por si só. Infecções, endometriose, alterações musculares do assoalho pélvico, cicatrizes, secura vaginal e outras condições precisam ser consideradas. Uma avaliação cuidadosa permite evitar conclusões apressadas e direcionar o tratamento à causa real do sintoma.

5. Sensação de evacuação incompleta e desconforto retal

Mesmo quando a evacuação acontece regularmente, pode permanecer a impressão de que o reto não esvaziou completamente. Algumas mulheres relatam desconforto retal, pressão local ou necessidade de retornar ao banheiro pouco tempo depois. Quando há fezes retidas na bolsa formada pela retocele, esse quadro tende a se repetir e pode gerar ansiedade em torno do funcionamento intestinal.

Também vale observar se há sangramento nas fezes, perda de peso sem explicação, anemia, dor abdominal importante ou mudança recente e persistente do hábito intestinal. Esses sinais não devem ser atribuídos automaticamente à retocele e exigem investigação médica sem demora, pois podem estar ligados a outras condições do trato intestinal.

O que causa a retocele?

A retocele costuma surgir quando os tecidos de sustentação da parede vaginal posterior perdem firmeza. A gravidez e o parto vaginal podem contribuir para esse enfraquecimento, em especial após partos prolongados, bebês maiores, uso de fórceps ou lacerações perineais. Ainda assim, a presença de parto vaginal não determina que uma mulher terá retocele, e mulheres que passaram por cesariana também podem desenvolver alterações do assoalho pélvico por outros fatores.

A menopausa pode aumentar a vulnerabilidade dos tecidos pela redução do estrogênio. Tosse crônica, obesidade, constipação, atividades com esforço repetitivo e histórico familiar de fragilidade do tecido conjuntivo também podem influenciar. Frequentemente, a causa é multifatorial, e não existe culpa da paciente nesse processo.

Em algumas situações, a retocele aparece junto a outros prolapsos, como cistocele, que é a descida da bexiga em direção à vagina, ou prolapso uterino. Por isso, o diagnóstico não deve se basear somente no que a mulher vê ou sente. É necessário avaliar toda a região pélvica e compreender quais estruturas estão envolvidas.

Como é feito o diagnóstico

A consulta começa com uma conversa detalhada sobre sintomas, gestações, partos, cirurgias anteriores, hábitos intestinais, perdas urinárias e impacto na vida cotidiana. Em seguida, o exame ginecológico permite identificar a presença da retocele, estimar sua gravidade e verificar possíveis alterações associadas.

Em geral, o diagnóstico é clínico. Exames complementares podem ser solicitados quando os sintomas intestinais são mais complexos, há suspeita de outra doença ou é necessário planejar um tratamento cirúrgico. Cada indicação deve ser individualizada: uma retocele pequena com poucos sintomas pode ser acompanhada, enquanto uma alteração que impede a evacuação ou compromete intensamente a qualidade de vida pode precisar de intervenção.

Tratamento: nem toda retocele precisa de cirurgia

O tratamento depende do grau do prolapso, dos sintomas, da idade, das condições de saúde, do desejo de engravidar e das expectativas de cada paciente. Quando os sintomas são leves, ajustes no hábito intestinal, consumo adequado de água e fibras, controle da constipação e orientação para evitar esforço excessivo podem trazer alívio.

A fisioterapia do assoalho pélvico é uma alternativa importante em muitos casos. Com acompanhamento especializado, exercícios e estratégias para melhorar a função muscular podem reduzir sintomas e prevenir piora. Não se trata apenas de “fazer exercícios”: a técnica correta e a avaliação individual fazem diferença, principalmente quando há dificuldade evacuatória ou dor pélvica.

Quando a retocele é significativa e persiste causando limitação apesar das medidas conservadoras, a cirurgia pode ser indicada. A perineoplastia e outras técnicas de correção da parede vaginal posterior buscam restaurar o suporte dos tecidos e melhorar a função. A decisão cirúrgica precisa ser segura e bem planejada, considerando também possíveis prolapsos associados e os objetivos da paciente.

Quando marcar uma avaliação ginecológica

Procure atendimento se notar abaulamento vaginal, dificuldade frequente para evacuar, necessidade de pressionar a vagina para eliminar fezes, dor nas relações ou sensação persistente de peso pélvico. A consulta também é recomendada quando esses sintomas surgem após a gestação, o parto ou a menopausa, mesmo que ainda pareçam leves.

Em Belém e Ananindeua, uma avaliação ginecológica individualizada permite esclarecer se os sintomas estão relacionados à retocele e discutir as opções de cuidado com segurança. O objetivo não é indicar cirurgia para todas as mulheres, mas encontrar a conduta que devolva conforto, autonomia e confiança à sua rotina.

Sentir mudanças no próprio corpo não deve ser motivo para adiar o cuidado por vergonha. Falar sobre sintomas íntimos é parte da saúde feminina, e buscar orientação cedo pode tornar o tratamento mais simples e tranquilo.

Dr. Adalberto Reis Duarte

 

Dr. Adalberto Reis Duarte é médico especialista em Ginecologia e Obstetrícia, com atuação em pré-natal de alto risco, pré-natal de risco habitual, parto cirúrgico e cirurgias ginecológicas.

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