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Dr Adalberto Reis Duarte Ginecologista e Obstetra

224- Prolapso uterino causa dor? Entenda os sinais

Prolapso uterino causa dor? Entenda os sinais

A dúvida se prolapso uterino causa dor é muito comum, especialmente quando a mulher percebe uma sensação de peso na vagina, pressão no baixo-ventre ou uma alteração ao se higienizar. Nem todo prolapso provoca dor intensa, mas ele pode, sim, causar desconforto e interferir de forma importante na rotina, na vida sexual, no exercício físico e na confiança para sair de casa.

O ponto principal é não normalizar sintomas que persistem. Sensação de algo descendo pela vagina, dificuldade para urinar ou evacuar, ardência por atrito e dor durante a relação merecem avaliação ginecológica individualizada. Há tratamentos clínicos e cirúrgicos, e a melhor escolha depende do grau do prolapso, dos sintomas, da saúde geral e dos planos de cada paciente.

O que é prolapso uterino?

O prolapso uterino ocorre quando o útero desce em direção ao canal vaginal porque as estruturas que o sustentam – músculos, fáscias e ligamentos do assoalho pélvico – perderam parte de sua capacidade de apoio. Em situações mais avançadas, o colo do útero ou o próprio útero pode ficar visível na entrada da vagina ou ultrapassá-la.

Ele pode aparecer isoladamente ou junto com outras alterações do assoalho pélvico. A cistocele, por exemplo, acontece quando a bexiga faz uma saliência na parede anterior da vagina. A retocele é uma projeção do reto contra a parede posterior vaginal. Essas condições podem coexistir e explicar sintomas urinários, intestinais e sensação de abaulamento.

O prolapso não é uma falha da paciente nem uma consequência inevitável do envelhecimento. Trata-se de uma condição médica frequente, que deve ser abordada com acolhimento e critério técnico.

Prolapso uterino causa dor em todos os casos?

Não. Algumas mulheres têm prolapso leve e não sentem dor nem percebem sintomas relevantes. Outras apresentam desconforto mesmo antes de surgir uma exteriorização evidente. A intensidade não depende somente do grau da descida do útero: atividade física, ressecamento vaginal, presença de lesões por atrito, constipação, infecções e outras condições ginecológicas também podem influenciar.

A dor costuma ser descrita como peso ou pressão na pelve, incômodo vaginal, sensação de puxão ou cansaço no fim do dia. Ela pode piorar após longos períodos em pé, ao carregar peso, tossir, fazer esforço para evacuar ou realizar exercícios de alto impacto.

Quando há uma parte do prolapso exposta, o contato constante com a roupa íntima pode causar irritação, feridas e sangramento. Nessa situação, dor, ardência ou secreção anormal precisam de avaliação sem demora. Não é recomendado tentar empurrar a estrutura repetidamente em casa sem orientação médica.

Dor na relação sexual

A relação sexual pode se tornar desconfortável por diferentes motivos. O abaulamento vaginal pode causar sensação de pressão, medo de dor ou alteração da lubrificação. Após a menopausa, o ressecamento dos tecidos pode acentuar a sensibilidade e o atrito.

Também é possível que a dor tenha outra origem, como endometriose, infecção, miomas, alterações ovarianas ou tensão da musculatura pélvica. Por isso, atribuir qualquer dor pélvica automaticamente ao prolapso pode atrasar um diagnóstico adequado.

Dor lombar e no baixo-ventre

Algumas pacientes relacionam o prolapso a dor na lombar ou no baixo-ventre. Embora a sensação de peso pélvico possa irradiar ou gerar desconforto nessa região, dor lombar persistente possui muitas causas possíveis, inclusive musculares, urinárias e intestinais. O exame ginecológico ajuda a entender se existe relação com o prolapso e se há outras alterações associadas.

Quais sintomas costumam acompanhar o prolapso?

Além da dor ou pressão, há sinais que merecem atenção. A mulher pode notar uma “bolinha” ou volume na vagina, perceber dificuldade para esvaziar a bexiga, ter perda de urina aos esforços ou precisar mudar de posição para urinar melhor. Algumas relatam vontade de urinar muitas vezes, infecções urinárias recorrentes ou sensação de esvaziamento incompleto.

No intestino, pode haver prisão de ventre, necessidade de fazer força excessiva ou dificuldade para eliminar fezes. Em alguns casos, a paciente sente que precisa pressionar a parede vaginal para conseguir evacuar. Esses sintomas não devem ser tratados com constrangimento: são informações clínicas valiosas para definir a conduta.

Procure atendimento com maior urgência se houver dor intensa e súbita, febre, sangramento fora do período menstrual, ferida dolorosa no tecido exposto, incapacidade de urinar ou piora rápida do abaulamento. Esses sinais exigem avaliação presencial.

Por que o prolapso acontece?

A gestação e o parto vaginal podem contribuir para o enfraquecimento do assoalho pélvico, principalmente após partos prolongados, bebês com peso elevado, uso de instrumentos ou lesões na região. Ainda assim, muitas mulheres que tiveram parto vaginal nunca desenvolvem prolapso, e mulheres que passaram por cesariana também podem apresentá-lo.

Outros fatores são a menopausa, pela redução do estrogênio e mudanças nos tecidos; o envelhecimento; a predisposição genética; obesidade; tosse crônica; constipação; atividades que aumentam repetidamente a pressão dentro do abdome; e cirurgias pélvicas prévias. Em algumas pacientes, vários desses elementos se somam ao longo dos anos.

Entender a causa ajuda a planejar a prevenção de piora, mas não deve gerar culpa. A prioridade é avaliar os sintomas atuais, preservar a função urinária e intestinal e devolver conforto à paciente.

Como é feita a avaliação ginecológica?

A consulta começa com uma conversa detalhada sobre os sintomas, gestações e partos, cirurgias anteriores, hábitos intestinais, perdas urinárias, medicamentos e impacto na vida sexual. A paciente deve se sentir à vontade para contar o que mudou em sua rotina, pois esse relato orienta tanto quanto o exame físico.

O exame ginecológico permite identificar quais compartimentos da vagina estão envolvidos e estimar a intensidade do prolapso. Em determinadas situações, o médico pode solicitar exames complementares para investigar sintomas urinários, sangramento ou outras causas de dor. Nem toda paciente precisa dos mesmos exames.

Essa avaliação também define se o desconforto pode ser acompanhado com medidas conservadoras ou se existe indicação de tratamento cirúrgico. A decisão não deve ser baseada apenas na aparência do prolapso, mas no impacto que ele provoca na vida da mulher.

Tratamento: nem sempre a cirurgia é a primeira etapa

Quando o prolapso é leve e os sintomas são discretos, podem ser indicadas mudanças de hábitos, controle da constipação, redução de fatores que aumentam a pressão abdominal e fisioterapia do assoalho pélvico. O fortalecimento muscular pode melhorar sintomas em algumas pacientes, embora não substitua a cirurgia nos casos em que há grande exteriorização ou comprometimento funcional.

Outra possibilidade, para mulheres selecionadas, é o pessário vaginal. Trata-se de um dispositivo colocado na vagina para dar sustentação aos órgãos pélvicos. Ele precisa de tamanho adequado, acompanhamento e cuidados regulares para evitar irritação ou lesões.

A cirurgia pode ser recomendada quando há sintomas persistentes, exteriorização importante, feridas por atrito, alterações urinárias ou intestinais relevantes, ou quando as medidas conservadoras não oferecem alívio suficiente. Existem diferentes técnicas, e a escolha pode envolver correção da parede vaginal, procedimentos para tratar cistocele e retocele, ou suspensão do ápice vaginal e do útero, como a colpossacrofixação. Em casos específicos, outras abordagens, incluindo colpocleise, podem ser consideradas.

A técnica deve ser discutida com transparência. Preservar ou retirar o útero, manter a possibilidade de relações vaginais, tratar incontinência urinária associada e considerar cirurgias prévias são fatores que mudam o planejamento. Não existe uma única cirurgia ideal para todas as mulheres.

Quando agendar uma consulta?

Vale agendar uma avaliação se você sente peso pélvico recorrente, percebe um abaulamento vaginal, evita atividades por medo de perda urinária ou dor, ou nota que sua vida sexual e sua autoestima foram afetadas. Quanto antes houver orientação, maior a chance de controlar os sintomas antes que eles limitem ainda mais a rotina.

Em Belém e Ananindeua, a avaliação com ginecologista experiente em cirurgia pélvica permite discutir o quadro com segurança, entender todas as alternativas e construir um plano compatível com as necessidades da paciente. Consultas por telemedicina também podem ser úteis para uma orientação inicial, embora o exame presencial seja indispensável para confirmar o diagnóstico e definir tratamento.

Sentir dor, pressão ou vergonha não precisa fazer parte da sua rotina. Buscar avaliação é um passo de cuidado com a sua saúde, autonomia e qualidade de vida.

Dr. Adalberto Reis Duarte

 

O Dr. Adalberto Reis Duarte é médico especialista em Ginecologia e Obstetrícia, com atuação em pré-natal de alto risco, pré-natal de risco habitual, parto cirúrgico e cirurgias ginecológicas.

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