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Dr Adalberto Reis Duarte Ginecologista e Obstetra

163- Laqueadura engorda ou altera hormônios mesmo?

Laqueadura engorda ou altera hormônios mesmo?

A dúvida sobre se a laqueadura engorda ou altera hormônios costuma surgir antes da cirurgia e merece uma resposta clara: em geral, não. A laqueadura tubária age nas trompas, impedindo o encontro entre óvulo e espermatozoide. Ela não interfere diretamente nos ovários, que continuam produzindo os hormônios femininos.

Ainda assim, algumas mulheres percebem mudanças no peso, no ciclo menstrual ou no corpo depois do procedimento. Isso não significa que a cirurgia seja a causa. Entender o que realmente muda – e o que deve ser investigado – ajuda a tomar uma decisão tranquila, segura e coerente com os seus planos de vida.

Laqueadura engorda ou altera hormônios?

A resposta médica é: a laqueadura não engorda por si só e não provoca alteração hormonal direta. As trompas são estruturas responsáveis pelo transporte do óvulo. Na cirurgia, elas são ligadas, seccionadas, cauterizadas ou, em algumas situações, retiradas parcialmente ou por completo. Os ovários permanecem preservados e seguem exercendo sua função hormonal.

Por isso, a laqueadura não induz menopausa, não reduz automaticamente a libido e não deveria modificar o metabolismo como consequência direta. Também não é esperado que ela cause retenção de líquido ou ganho de gordura corporal.

Há uma diferença essencial entre laqueadura e procedimentos que envolvem a retirada dos ovários. Quando os ovários são removidos, situação indicada apenas em contextos clínicos específicos, pode haver queda hormonal e, dependendo da idade da paciente, menopausa cirúrgica. Isso não acontece em uma laqueadura tubária habitual.

E a menstruação pode mudar?

A menstruação pode apresentar variações ao longo da vida, mas a laqueadura isoladamente não costuma ser a responsável. Muitas pacientes realizam a cirurgia após parar pílulas, injeções, implantes ou outros anticoncepcionais hormonais. Ao suspender esses métodos, o organismo retoma o padrão natural de funcionamento, que pode incluir fluxo mais intenso, cólicas mais perceptíveis ou ciclos menos previsíveis.

Em outras palavras, a mudança percebida pode estar relacionada à interrupção do anticoncepcional, e não à cirurgia nas trompas. Avaliar a linha do tempo é muito útil: como eram os ciclos antes do método hormonal? Quando ele foi interrompido? Houve gravidez, parto ou amamentação recentemente? Essas informações tornam a análise mais precisa.

Por que algumas mulheres ganham peso após a laqueadura?

O peso corporal não depende de uma única causa. Alimentação, rotina de sono, nível de atividade física, estresse, uso de medicamentos, idade, histórico familiar e condições clínicas podem influenciar. Quando a cirurgia é feita depois de uma gestação, por exemplo, é comum que a mulher ainda esteja no processo de recuperação do parto e de adaptação à nova rotina.

No pós-parto, há privação de sono, mudanças na alimentação, menor tempo para cuidar de si, oscilações emocionais e, em alguns casos, menor prática de exercícios. Esses fatores podem favorecer alterações de peso, independentemente da via de parto ou da realização de laqueadura.

Também é possível que a paciente tenha usado um anticoncepcional que reduzia cólicas, controlava o sangramento ou alterava seu apetite. Ao deixar de usá-lo, percebe mudanças que parecem ter começado com a cirurgia. A associação temporal é compreensível, mas não confirma uma relação de causa e efeito.

Outra questão frequente é a aproximação da menopausa. Com o passar dos anos, o gasto energético tende a diminuir e a distribuição de gordura corporal pode mudar. Alterações da tireoide, resistência à insulina, síndrome dos ovários policísticos e alguns antidepressivos, por exemplo, também devem ser considerados quando há ganho de peso persistente ou expressivo.

O que esperar da cirurgia e da recuperação

A laqueadura é um método contraceptivo definitivo. Pode ser realizada durante uma cesariana, logo após o parto em circunstâncias selecionadas ou em outro momento, por cirurgia minimamente invasiva, conforme a indicação e as condições de cada paciente. A técnica adequada depende do histórico de saúde, de cirurgias anteriores, do desejo reprodutivo e do planejamento cirúrgico.

No período de recuperação, podem ocorrer dor leve a moderada, desconforto abdominal, cansaço e limitação temporária para esforços. Essas manifestações tendem a ser transitórias e devem ser acompanhadas conforme as orientações da equipe médica. Elas não representam, por si só, alteração hormonal.

A fertilidade é o ponto que realmente muda: a intenção da cirurgia é impedir futuras gestações. Embora existam técnicas de reversão em casos selecionados, elas não oferecem garantia de sucesso e podem não ser viáveis para todas as pacientes. Por esse motivo, a decisão precisa ser tomada com convicção, informação adequada e espaço para discutir dúvidas sem pressa.

Quando vale investigar o ganho de peso ou sintomas novos?

Se houver aumento de peso rápido, inchaço importante, cansaço intenso, queda de cabelo, intolerância ao frio, alterações importantes do humor ou irregularidade menstrual persistente, é prudente buscar avaliação ginecológica e, quando necessário, clínica ou endocrinológica. O objetivo não é atribuir tudo à laqueadura, mas identificar com segurança a origem dos sintomas.

A consulta permite revisar medicamentos em uso, histórico menstrual, alimentação, rotina de sono, antecedentes familiares e momento de vida. Dependendo do caso, podem ser solicitados exames para avaliar tireoide, glicemia, colesterol, anemia e outros fatores relevantes. Cuidar do peso com responsabilidade começa por evitar conclusões precipitadas e respeitar a individualidade do organismo.

Como decidir se a laqueadura é a melhor escolha

A laqueadura pode ser uma excelente opção para mulheres que têm certeza de que não desejam engravidar novamente ou que possuem uma condição de saúde na qual uma futura gestação possa representar risco. Mas ela não é obrigatoriamente a melhor escolha para todas.

Antes de optar pelo procedimento, vale conversar sobre a certeza em relação ao desejo de ter filhos no futuro, o momento emocional, a estabilidade da decisão e as alternativas contraceptivas de longa duração. DIU de cobre, DIU hormonal e implante contraceptivo, por exemplo, podem atender bem mulheres que desejam alta eficácia, mas preferem manter a possibilidade de interromper o método posteriormente.

Uma consulta individualizada também esclarece como será a cirurgia, quais são os cuidados pré e pós-operatórios, os riscos envolvidos e o que esperar da recuperação. No consultório do Dr. Adalberto Reis Duarte, a indicação de laqueadura é discutida de forma cuidadosa, considerando saúde, história reprodutiva e projeto de vida de cada paciente.

A decisão mais segura não nasce do medo de ganhar peso ou de alterar os hormônios. Ela nasce de informação confiável, avaliação médica e da tranquilidade de escolher um método que respeite o seu corpo e os seus planos para o futuro.

Dr. Adalberto Reis Duarte

 

Dr. Adalberto Reis Duarte é médico especialista em Ginecologia e Obstetrícia, com atuação em pré-natal de alto risco, pré-natal de risco habitual, parto cirúrgico e cirurgias ginecológicas.

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