Dr Adalberto Reis Duarte Ginecologista e Obstetra

98- Guia da cirurgia para miomas

Ilustração colorida com o Dr. Adalberto Reis Duarte, ginecologista e obstetra, sorrindo e em destaque à esquerda. Ele usa jaleco branco, estetoscópio e óculos. Ao fundo, elementos gráficos mostram: o sistema reprodutor feminino com miomas uterinos, dois cirurgiões em uma sala de cirurgia, instrumentos cirúrgicos (bisturi, pinça), uma prancheta com exames de ultrassom e comprimidos médicos. A imagem ilustra os tratamentos e diagnósticos da infertilidade e miomas uterinos.

Receber a notícia de que existe indicação cirúrgica para tratar miomas costuma trazer duas angústias ao mesmo tempo: o medo da cirurgia e a dúvida sobre o que realmente faz sentido no seu caso. Este guia da cirurgia para miomas foi pensado para esclarecer esse caminho de forma objetiva, acolhedora e segura, porque nem todo mioma precisa ser operado, e nem toda cirurgia é igual.

Os miomas são tumores benignos do útero, muito comuns ao longo da vida reprodutiva. Algumas mulheres convivem com eles sem sintomas relevantes. Outras sofrem com sangramento menstrual intenso, cólicas fortes, pressão na bexiga, aumento do volume abdominal, dor pélvica, anemia ou dificuldade para engravidar. É justamente a combinação entre sintomas, localização, tamanho dos miomas e plano reprodutivo que orienta a decisão.

Quando a cirurgia para miomas costuma ser indicada

A cirurgia geralmente entra em cena quando o mioma compromete a qualidade de vida ou traz repercussões clínicas importantes. Sangramento excessivo com anemia recorrente, dor persistente, aumento importante do útero, compressão de órgãos vizinhos e suspeita de impacto sobre fertilidade estão entre as situações mais comuns.

Também há casos em que o mioma deforma a cavidade uterina e aumenta risco de abortamento ou dificulta gestação. Em outras pacientes, o principal motivo é o desconforto diário: sensação de peso, barriga aumentada, urgência urinária ou dificuldade para esvaziar a bexiga. A indicação, portanto, não depende só do tamanho. Um mioma pequeno, mal posicionado, pode incomodar mais do que um maior e silencioso.

Existe ainda um ponto importante: operar cedo demais nem sempre é melhor, mas esperar além do necessário também pode tornar o tratamento mais complexo. Quando o quadro é acompanhado com critério, a decisão tende a ser mais precisa e mais tranquila.

Guia da cirurgia para miomas: quais são as opções

Quando se fala em cirurgia para miomas, duas possibilidades costumam concentrar a maior parte das indicações: miomectomia e histerectomia. A escolha depende da idade, dos sintomas, do número de miomas, da localização, do desejo de manter o útero e da avaliação clínica completa.

Miomectomia

A miomectomia é a retirada dos miomas com preservação do útero. Em geral, é a opção mais considerada para mulheres que desejam engravidar no futuro ou que preferem manter o útero por razões pessoais e clínicas. Ela pode ser feita por histeroscopia, laparoscopia ou cirurgia aberta, conforme o caso.

Na histeroscopia cirúrgica, o acesso é feito pela vagina e pelo colo do útero, sem cortes no abdome. Essa técnica costuma ser indicada para miomas menores localizados dentro da cavidade uterina, especialmente os submucosos. A recuperação tende a ser mais rápida, mas ela não serve para todos os tipos de mioma.

Na laparoscopia, pequenos cortes no abdome permitem a retirada de miomas em casos selecionados. É uma abordagem moderna, com potencial de menor dor no pós-operatório e retorno mais rápido às atividades, mas exige indicação correta e experiência cirúrgica. Já a cirurgia aberta pode ser a melhor escolha quando há muitos miomas, grandes volumes uterinos ou necessidade técnica específica para preservar segurança.

Histerectomia

A histerectomia é a retirada do útero. Ela costuma ser indicada quando a mulher não deseja mais engravidar, apresenta sintomas importantes ou tem miomas múltiplos, volumosos, recorrentes ou de manejo difícil por outras técnicas. Dependendo da situação, pode representar uma solução definitiva para sangramento e sintomas relacionados ao útero.

Essa decisão precisa ser muito bem conversada. Para algumas pacientes, a retirada do útero traz alívio e praticidade terapêutica. Para outras, preservar o órgão é um valor importante. Não existe resposta automática. Existe a melhor escolha para aquela mulher, naquele momento da vida.

O que define a melhor técnica

A melhor cirurgia não é a mais moderna no papel, mas a mais adequada ao seu quadro. O planejamento começa com exame ginecológico, ultrassonografia e, em alguns casos, ressonância magnética ou histeroscopia diagnóstica. O médico avalia número de miomas, posição no útero, profundidade, vascularização, histórico de cirurgias anteriores e presença de anemia.

O desejo reprodutivo também muda tudo. Uma paciente que quer engravidar pode se beneficiar de uma conduta conservadora e tecnicamente minuciosa para preservar o útero. Já outra, com prole definida e sangramento intenso há anos, pode ter mais vantagem com uma solução definitiva. O tratamento ideal é sempre individualizado.

Além disso, é preciso considerar que cada técnica tem limites. A histeroscopia é excelente em indicações específicas, mas não resolve miomas que estão na parede externa do útero. A laparoscopia pode oferecer recuperação mais confortável, porém nem sempre é a via mais segura em úteros muito aumentados. O melhor caminho é aquele que combina resultado, segurança e previsibilidade no pós-operatório.

Como se preparar para a cirurgia

Uma boa cirurgia começa antes do centro cirúrgico. Se há anemia por sangramento, por exemplo, esse quadro precisa ser corrigido sempre que possível. Em alguns casos, medicamentos são usados antes do procedimento para reduzir sangramento, melhorar exames ou facilitar o planejamento operatório.

Também é comum solicitar exames laboratoriais, avaliação anestésica e revisão de medicações em uso. Pacientes que usam anticoagulantes, têm hipertensão, diabetes ou histórico de trombose precisam de cuidado ainda mais personalizado. Esse preparo reduz riscos e deixa o procedimento mais seguro.

No consultório, vale levar perguntas objetivas: qual é o tipo de mioma, por que a cirurgia foi indicada, qual via será usada, quanto tempo dura a recuperação e quais resultados esperar. Quando a paciente entende o plano, a ansiedade costuma diminuir bastante.

Como é a recuperação

A recuperação varia conforme o tipo de cirurgia e as características do procedimento. Em cirurgias histeroscópicas, o retorno costuma ser mais rápido. Em laparoscopias, muitas mulheres retomam parte da rotina em poucos dias, com progressão gradual. Em cirurgias abdominais abertas, o tempo de recuperação costuma ser maior.

Nas primeiras semanas, o foco é controlar a dor, evitar esforço excessivo e observar sinais fora do esperado, como febre, sangramento intenso, secreção com odor forte ou dor que piora em vez de melhorar. O retorno ao trabalho, à atividade física e às relações sexuais deve seguir orientação médica individual.

Outro ponto importante é o aspecto emocional. Mesmo quando a cirurgia é bem indicada e traz alívio, muitas mulheres passam por um período de maior sensibilidade. Isso é compreensível. Ter acompanhamento próximo nesse momento faz diferença.

Cirurgia para miomas afeta a fertilidade?

Pode afetar de formas diferentes, e esse é um tema que merece conversa franca. Em algumas pacientes, retirar o mioma melhora as chances de gestação, especialmente quando ele deforma a cavidade uterina ou interfere na implantação do embrião. Em outras, o benefício é menos claro.

Também existem riscos inerentes à própria cirurgia, como formação de aderências ou cicatriz uterina, o que exige técnica cuidadosa e indicação bem fundamentada. Após uma miomectomia, o tempo para tentar engravidar varia conforme a profundidade dos cortes no útero e a recuperação tecidual. Em determinadas situações, pode haver indicação de cesariana futura.

Por isso, a pergunta mais útil não é apenas se a cirurgia preserva a fertilidade, mas se ela melhora sua perspectiva reprodutiva mais do que observar ou tratar de outra forma.

Perguntas que ajudam na decisão

Se você está em dúvida, algumas perguntas costumam organizar melhor o raciocínio. Meu sintoma realmente vem do mioma? Há alternativa segura sem cirurgia? O objetivo é aliviar sintomas, preservar fertilidade ou resolver de forma definitiva? Qual técnica oferece melhor equilíbrio entre resultado e recuperação no meu caso?

Essas respostas não devem ser genéricas. Uma conduta correta para uma mulher de 32 anos que quer engravidar pode ser inadequada para outra de 46 anos, com múltiplos miomas e sangramento incapacitante. É por isso que uma avaliação individual faz tanta diferença.

Em uma prática focada em ginecologia cirúrgica e cuidado contínuo, como a do Dr. Adalberto Reis Duarte, esse tipo de decisão costuma ser conduzido com atenção aos detalhes clínicos e ao que a paciente espera recuperar com o tratamento: conforto, segurança, fertilidade ou qualidade de vida.

O que esperar do resultado

A cirurgia para miomas pode melhorar muito o dia a dia quando a indicação é correta. Sangramento reduz, a anemia pode ser controlada, a pressão pélvica tende a melhorar e a rotina volta a caber no corpo com menos limitação. Mas resultado bom não depende só do ato cirúrgico. Depende de diagnóstico preciso, técnica adequada, preparo pré-operatório e seguimento responsável.

Também é importante alinhar expectativas. Na miomectomia, existe possibilidade de surgirem novos miomas ao longo dos anos, porque o útero é preservado. Na histerectomia, esse risco deixa de existir no útero retirado, mas a escolha envolve outras implicações pessoais e reprodutivas. Saber disso antes da cirurgia evita frustração depois.

Se você recebeu indicação ou suspeita que esse seja o próximo passo, tente não decidir pelo medo. A decisão mais segura costuma nascer de uma consulta em que seus sintomas, seus exames e seus planos de vida são levados a sério. Quando isso acontece, a cirurgia deixa de parecer um salto no escuro e passa a ser uma escolha consciente de cuidado com você mesma.

 

Dr. Adalberto Reis Duarte é médico especialista em Ginecologia e Obstetrícia, com atuação em pré-natal de alto risco, pré-natal de risco habitual, parto cirúrgico e cirurgias ginecológicas.

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