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Dr Adalberto Reis Duarte Ginecologista e Obstetra

169- Guia da cirurgia para prolapso uterino com segurança

Guia da cirurgia para prolapso uterino com segurança

Sentir um peso ou uma “bola” na vagina, ter dificuldade para urinar, evacuar ou manter relações sexuais confortáveis pode afetar profundamente a rotina e a autoestima. Este guia da cirurgia para prolapso uterino foi preparado para esclarecer quando a operação pode ser indicada, quais técnicas existem e como tomar essa decisão com a segurança que cada mulher merece.

O prolapso uterino acontece quando os tecidos, músculos e ligamentos que sustentam os órgãos pélvicos perdem força. Como consequência, o útero pode descer em direção ao canal vaginal ou exteriorizar-se parcialmente. Em algumas pacientes, o problema vem acompanhado de cistocele, quando a bexiga faz abaulamento na parede vaginal, ou retocele, relacionada ao reto.

A cirurgia não é obrigatória para toda mulher com prolapso. A indicação depende dos sintomas, do grau da alteração, das condições de saúde, da idade, do desejo de preservar a atividade sexual e, especialmente, dos planos reprodutivos. Uma avaliação ginecológica cuidadosa é o ponto de partida para uma escolha responsável.

Quando a cirurgia para prolapso uterino é indicada

Nem sempre a aparência do prolapso no exame corresponde ao incômodo sentido pela paciente. Há mulheres com alterações mais avançadas e poucos sintomas, enquanto outras sofrem bastante mesmo com um prolapso de menor grau. Por isso, a decisão não deve ser tomada apenas pela classificação da doença.

A cirurgia costuma ser considerada quando há sensação persistente de peso pélvico ou de algo saindo pela vagina, feridas ou sangramentos causados pelo atrito, dificuldade para esvaziar a bexiga, infecções urinárias recorrentes, constipação associada à retocele ou impacto relevante na vida íntima e na qualidade de vida.

Antes de indicar o procedimento, o ginecologista investiga outras causas possíveis para os sintomas e avalia se medidas conservadoras podem ajudar. Exercícios para fortalecimento do assoalho pélvico, fisioterapia especializada e o uso de pessário vaginal podem ser alternativas úteis em determinados casos. Elas não corrigem todos os prolapsos, mas podem controlar sintomas ou ser a melhor escolha quando a cirurgia não é desejada ou precisa ser adiada.

Quais são as opções de cirurgia para prolapso uterino

Não existe uma única operação ideal para todas as pacientes. A técnica é definida de forma individualizada, considerando os compartimentos vaginais afetados, cirurgias anteriores, presença de incontinência urinária, doenças associadas e objetivos pessoais da mulher.

Cirurgias de reconstrução do assoalho pélvico

Quando há cistocele ou retocele, podem ser realizadas correções das paredes vaginais, também chamadas de colporrafias. O objetivo é restaurar o suporte dos tecidos e reduzir o abaulamento que pode dificultar a micção, a evacuação ou causar desconforto vaginal.

Em alguns casos, a perineoplastia pode ser indicada para reconstruir a região do períneo e reforçar a entrada vaginal. Essa abordagem pode fazer parte do tratamento quando há alterações de suporte associadas, mas não substitui a correção adequada das estruturas que sustentam o útero ou a cúpula vaginal.

Colpossacrofixação

A colpossacrofixação é uma técnica de suspensão que fixa a vagina, ou a cúpula vaginal quando o útero já foi retirado, a uma estrutura firme da pelve. Pode ser realizada por via abdominal, frequentemente por técnicas minimamente invasivas quando há indicação e estrutura adequada para isso.

Ela costuma ser considerada em mulheres que desejam preservar a função vaginal e sexual. Ainda assim, toda cirurgia tem particularidades: tempo operatório, recuperação, riscos anestésicos e possibilidade de recorrência precisam ser discutidos com clareza antes da decisão.

Histerectomia associada à correção do prolapso

Em algumas situações, a retirada do útero, chamada histerectomia, pode fazer parte do tratamento. Isso pode ocorrer, por exemplo, quando existem miomas sintomáticos, sangramento uterino anormal, alterações do colo do útero ou outras indicações ginecológicas associadas.

Por outro lado, retirar o útero não é uma exigência em todos os casos de prolapso. Há técnicas de preservação uterina que podem ser avaliadas para pacientes selecionadas. A melhor escolha depende do quadro clínico e de uma conversa honesta sobre benefícios, limites e preferências.

Colpocleise

A colpocleise é um procedimento que reduz ou fecha o canal vaginal para corrigir prolapsos avançados. Pode ser uma opção eficaz para mulheres que não desejam manter relações com penetração vaginal e que precisam de uma solução cirúrgica menos extensa em contextos específicos.

Essa decisão exige acolhimento e informação detalhada, pois o efeito sobre a vida sexual é definitivo. Não é uma técnica inferior ou superior às demais: é uma alternativa apropriada apenas quando está alinhada às necessidades e escolhas da paciente.

Como é o preparo antes da cirurgia

A segurança do procedimento começa bem antes da sala cirúrgica. A consulta inclui exame ginecológico completo e análise das queixas urinárias, intestinais e sexuais. Dependendo do caso, podem ser solicitados exames laboratoriais, ultrassonografia, avaliação cardiológica ou outros pareceres para reduzir riscos e planejar a anestesia.

Também é essencial informar todos os medicamentos em uso, alergias, cirurgias anteriores e condições como hipertensão, diabetes, doenças cardíacas ou histórico de trombose. Anticoagulantes e alguns medicamentos para diabetes, por exemplo, podem exigir ajustes médicos antes da operação. Nunca suspenda remédios por conta própria.

Se houver incontinência urinária de esforço, caracterizada por perda de urina ao tossir, rir ou fazer esforço, ela deve ser investigada durante o planejamento. Em algumas pacientes, pode haver indicação de correção no mesmo tempo cirúrgico, como o sling transobturatório. Em outras, tratar tudo de uma vez não é a melhor conduta. O planejamento deve priorizar segurança e resultado funcional, não apenas rapidez.

Recuperação: o que esperar após o procedimento

O tempo de recuperação varia conforme a técnica utilizada, a extensão da cirurgia e as condições clínicas da paciente. Nos primeiros dias, é comum haver desconforto pélvico, cansaço e pequeno sangramento vaginal. A dor deve ser controlada com a medicação prescrita, e qualquer piora importante merece contato com a equipe médica.

Em geral, recomenda-se evitar carregar peso, exercícios de impacto, relações sexuais com penetração e esforço evacuatório no período definido pelo cirurgião. A prisão de ventre pode comprometer o conforto e aumentar a pressão sobre o assoalho pélvico, por isso hidratação, alimentação com fibras e medicamentos quando prescritos fazem parte do cuidado pós-operatório.

Procure atendimento sem demora diante de febre, sangramento intenso, dor que não melhora com a medicação, secreção com mau cheiro, falta de ar, dor ou inchaço em uma perna, incapacidade de urinar ou piora súbita do estado geral. Esses sinais não significam necessariamente uma complicação, mas exigem avaliação.

Resultados, riscos e possibilidade de recorrência

A cirurgia pode melhorar de forma expressiva a sensação de abaulamento, o conforto nas atividades diárias e sintomas urinários ou intestinais relacionados ao prolapso. No entanto, nenhum procedimento elimina totalmente a possibilidade de uma nova alteração de suporte ao longo dos anos. Envelhecimento, tosse crônica, constipação, excesso de peso, esforço físico repetitivo e características próprias dos tecidos podem influenciar esse risco.

Como em qualquer cirurgia, existem riscos de sangramento, infecção, lesão de órgãos próximos, alterações urinárias, dor e complicações anestésicas. A frequência e a relevância desses eventos variam conforme o procedimento e o perfil da paciente. Uma indicação bem feita, técnica cirúrgica adequada e acompanhamento próximo ajudam a reduzir riscos, mas promessas de resultado absoluto não são responsáveis.

O que perguntar na consulta sobre prolapso uterino

Uma boa consulta deve deixar você segura para decidir. Pergunte qual estrutura está prolapsada, se há opções sem cirurgia, qual técnica foi indicada e por quê, se o útero será preservado, como será a anestesia, quanto tempo dura a recuperação e quais restrições serão necessárias.

Também vale esclarecer como serão os retornos, o que fazer em caso de dúvidas após a alta e quais resultados são esperados especificamente para os seus sintomas. Em Belém e Ananindeua, uma avaliação individualizada permite planejar o tratamento cirúrgico com atenção à sua história, às suas prioridades e à continuidade do acompanhamento.

A decisão de operar um prolapso uterino não precisa ser guiada pelo medo nem pelo constrangimento. Quando os sintomas interferem em sua liberdade e bem-estar, buscar avaliação especializada é um passo de cuidado consigo mesma e uma oportunidade de retomar a rotina com mais conforto e confiança.

Dr. Adalberto Reis Duarte

 

Dr. Adalberto Reis Duarte é médico especialista em Ginecologia e Obstetrícia, com atuação em pré-natal de alto risco, pré-natal de risco habitual, parto cirúrgico e cirurgias ginecológicas.

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