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Dr Adalberto Reis Duarte Ginecologista e Obstetra

144- Como é feita a perineoplastia feminina?

Como é feita a perineoplastia?
Sensação de peso na vagina, dificuldade para evacuar, escape de gases ou a percepção de que a região mudou após partos são queixas que merecem avaliação ginecológica. Quando uma mulher pergunta como é feita a perineoplastia feminina, geralmente não busca apenas conhecer uma técnica: ela quer saber se existe uma solução segura para sintomas que passaram a interferir em sua rotina, autoestima e vida íntima. A perineoplastia é uma cirurgia realizada para reconstruir e reforçar o períneo, área localizada entre a entrada da vagina e o ânus. Em alguns casos, ela faz parte do tratamento de alterações do assoalho pélvico, especialmente quando há alargamento da entrada vaginal, fragilidade dos tecidos após traumas obstétricos ou retocele. A indicação, porém, nunca deve se basear apenas na aparência da região. É o exame clínico detalhado que mostra quais estruturas estão envolvidas e qual tratamento faz sentido para cada paciente.

Quando a perineoplastia pode ser indicada?

A cirurgia pode ser considerada após lacerações relacionadas ao parto, episiotomias com cicatrização inadequada, sensação de frouxidão na entrada vaginal, desconforto local ou alterações associadas ao prolapso dos órgãos pélvicos. A retocele, por exemplo, acontece quando a parede posterior da vagina se projeta em direção ao reto, podendo contribuir para dificuldade evacuatória e sensação de abaulamento. Nem toda alteração vaginal exige cirurgia. Algumas pacientes se beneficiam de fisioterapia do assoalho pélvico, tratamento da constipação, orientações para reduzir esforço ao evacuar ou acompanhamento clínico. A perineoplastia tende a ser considerada quando há defeito anatômico relevante, sintomas persistentes ou impacto importante na qualidade de vida. Também é essencial diferenciar as condições. A cistocele envolve a parede anterior da vagina e a bexiga; a retocele envolve a parede posterior e o reto. Dependendo do diagnóstico, a perineoplastia pode ser associada a outros reparos vaginais. Por isso, dois procedimentos que recebem o mesmo nome no dia a dia podem ter extensões e objetivos cirúrgicos diferentes.

Como é feita a perineoplastia feminina, etapa por etapa

O primeiro passo não acontece no centro cirúrgico, mas no consultório. A ginecologista ou o ginecologista conversa com a paciente sobre sintomas, histórico de partos, cirurgias anteriores, doenças clínicas, uso de medicamentos e expectativas em relação ao resultado. Em seguida, realiza o exame pélvico para avaliar a pele, a cicatriz, a entrada vaginal, os músculos do períneo e a possível presença de prolapsos. Se houver indicação cirúrgica, são solicitados exames pré-operatórios compatíveis com a idade, o estado de saúde e o tipo de anestesia planejado. Em determinadas situações, pode ser necessário complementar a investigação com avaliação urológica, proctológica ou fisioterapia pélvica. Essa etapa evita que um sintoma com outra causa seja atribuído, de forma equivocada, apenas ao períneo. No dia da cirurgia, a paciente recebe anestesia, que pode ser raquidiana, peridural ou geral, conforme o caso e a avaliação da equipe de anestesia. Após a assepsia da região, o cirurgião faz uma incisão planejada na entrada vaginal e no períneo. A técnica busca identificar os tecidos que perderam sustentação, reconstruir o corpo perineal e aproximar estruturas musculares quando isso é necessário. Quando existe retocele, pode ser realizado também o reparo da parede posterior vaginal. O objetivo não é simplesmente “apertar” a vagina. O foco é restaurar o suporte anatômico, corrigir o defeito identificado e preservar uma função confortável. Retirar tecido em excesso ou promover tensão exagerada pode aumentar o risco de dor e dificuldade nas relações sexuais, razão pela qual o planejamento individualizado é tão importante. Ao final, a mucosa vaginal e a pele do períneo são fechadas com pontos absorvíveis, que em geral não precisam ser retirados. A duração da cirurgia varia conforme a complexidade, os reparos associados e as condições clínicas da paciente. Algumas mulheres recebem alta no mesmo dia; outras podem permanecer em observação por mais tempo, especialmente quando há procedimentos adicionais ou necessidade de controle mais próximo.

A cirurgia muda a sensibilidade ou a vida sexual?

A resposta depende do motivo da cirurgia, da técnica indicada, da cicatrização e da saúde do assoalho pélvico. Quando há desconforto causado por cicatriz dolorosa, abaulamento ou falta de sustentação, a correção pode melhorar o bem-estar e a segurança da paciente. Mas a perineoplastia não deve ser apresentada como garantia de aumento de prazer sexual. A sensibilidade genital envolve fatores físicos, hormonais, emocionais e relacionais. Durante a consulta, é válido falar abertamente sobre dor na penetração, ressecamento, medo, libido e expectativas. Essa conversa permite definir se a cirurgia é a melhor estratégia ou se deve ser combinada com outras abordagens.

Recuperação após a perineoplastia

Nos primeiros dias, é comum ocorrer inchaço, sensibilidade, pequena quantidade de sangramento e desconforto ao sentar ou caminhar. A intensidade varia de pessoa para pessoa e costuma ser controlada com os medicamentos prescritos. Compressas frias protegidas por tecido podem ser recomendadas em alguns casos, sempre de acordo com a orientação médica. A higiene local precisa ser cuidadosa, mas sem excessos. Normalmente, orienta-se lavar a região com água e sabonete suave, secar sem esfregar e usar roupas íntimas confortáveis. Prisão de ventre deve ser evitada porque o esforço evacuatório aumenta a pressão na região operada. Por isso, alimentação com fibras, hidratação e, quando indicado, medicamentos para manter as fezes macias fazem parte do pós-operatório. Em geral, atividades leves podem ser retomadas de forma progressiva, mas exercícios de impacto, levantamento de peso e esforço físico intenso ficam suspensos por um período definido pelo cirurgião. As relações sexuais com penetração costumam ser liberadas somente após cicatrização adequada, frequentemente entre seis e oito semanas, embora o prazo possa mudar conforme o procedimento realizado e a evolução da paciente. A revisão pós-operatória é indispensável. É nela que o médico avalia a cicatrização, identifica pontos de tensão, orienta a retomada das atividades e indica fisioterapia pélvica se houver benefício. Respeitar o tempo de recuperação é parte do tratamento, não um detalhe secundário.

Riscos e sinais que exigem contato com a equipe

Como toda cirurgia, a perineoplastia envolve riscos, ainda que medidas de segurança sejam adotadas. Podem ocorrer sangramento, hematoma, infecção, abertura parcial dos pontos, alteração cicatricial, dor persistente, dor nas relações e necessidade de tratamento complementar. Em reparos de prolapso, também existe possibilidade de recorrência ao longo do tempo, especialmente se persistirem fatores como constipação crônica, tosse frequente ou sobrecarga física intensa. Dor que piora em vez de melhorar, febre, secreção com odor forte, sangramento em grande quantidade, dificuldade para urinar ou inchaço acentuado devem ser comunicados à equipe responsável. Não é recomendável se automedicar ou esperar muitos dias diante desses sinais.

Uma decisão que começa com diagnóstico preciso

Perineoplastia não é um procedimento padronizado e não deve ser indicada por comparação com a experiência de outra mulher. O que funcionou para uma paciente pode não ser adequado para outra, porque os sintomas, a anatomia, os planos de maternidade e as alterações associadas são diferentes. Uma consulta bem conduzida oferece espaço para esclarecer dúvidas sem constrangimento, entender alternativas e conhecer os cuidados envolvidos antes e depois da cirurgia. Para pacientes em Belém, Ananindeua ou por telemedicina quando apropriado, esse acompanhamento individualizado ajuda a transformar uma preocupação íntima em uma decisão médica segura e consciente.
Dr. Adalberto Reis Duarte

 

Dr. Adalberto Reis Duarte é médico especialista em Ginecologia e Obstetrícia, com atuação em pré-natal de alto risco, pré-natal de risco habitual, parto cirúrgico e cirurgias ginecológicas.

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