Dr Adalberto Reis Duarte Ginecologista e Obstetra

87- Como tratar prolapso uterino cirurgicamente

Uma ilustração em aquarela, composta em um estilo artístico e educacional. O lado esquerdo da imagem apresenta um retrato do Dr. Adalberto Reis Duarte, um médico ginecologista e obstetra de barba escura e óculos, vestindo um jaleco branco com um estetoscópio duplo ao pescoço. Ele está olhando calmamente para a direita da composição. O lado direito da imagem apresenta uma ilustração médica detalhada de um útero humano em corte transversal, fallopian tubes, e ovários. O útero está visivelmente prolapsado, com uma porção bulbosa e nodular da vagina descendo para baixo, representando a prolapso uterino. Abaixo da ilustração do útero, dois cabos de bisturi cirúrgicos estão dispostos em diagonal, overlapping uns aos outros. O fundo é uma fusão suave de lavagens de aquarela em tons de rosa, laranja e azul claro sobre um papel texturizado. O estilo é solto e expressivo, com bordas de lavagem visíveis.

A sensação de peso na pelve, a percepção de uma “bola” saindo pela vagina ou o desconforto para caminhar, urinar e ter relações sexuais costumam gerar medo e constrangimento. Quando esses sinais aparecem, muitas pacientes querem saber como tratar prolapso uterino cirurgicamente e se a cirurgia realmente pode devolver conforto, segurança e qualidade de vida. A resposta é que sim, em muitos casos o tratamento cirúrgico é uma solução efetiva, mas a técnica ideal depende do grau do prolapso, da idade, dos sintomas, da vida sexual, das condições clínicas e do desejo da paciente.

O que é o prolapso uterino e quando a cirurgia entra em cena

O prolapso uterino acontece quando o útero perde parte do suporte dos músculos, ligamentos e fáscias da pelve e desce em direção ao canal vaginal. Em casos leves, a paciente pode sentir apenas pressão ou desconforto ao fim do dia. Em casos moderados ou avançados, pode haver exteriorização do útero, dificuldade para esvaziar a bexiga, constipação, dor pélvica e impacto importante na rotina.

Nem todo prolapso precisa de cirurgia de imediato. Há pacientes que se beneficiam de fisioterapia pélvica, mudança de hábitos, controle da constipação, perda de peso e uso de pessário vaginal. A cirurgia passa a ser considerada quando os sintomas são significativos, quando o prolapso é mais avançado, quando medidas conservadoras não funcionam bem ou quando a paciente deseja uma solução mais definitiva.

Esse ponto é importante porque o tratamento não deve ser decidido apenas pelo exame físico. A intensidade dos sintomas e o quanto a condição interfere na vida da mulher pesam muito na indicação.

Como tratar prolapso uterino cirurgicamente na prática

Quando pensamos em como tratar prolapso uterino cirurgicamente, existem diferentes estratégias. De forma geral, as cirurgias podem buscar preservar o útero ou removê-lo, além de reconstruir o suporte da região pélvica. A escolha não é automática e precisa ser individualizada.

Em algumas pacientes, a histerectomia pode fazer parte do tratamento, especialmente quando há indicação associada, como sangramento uterino anormal, miomas, adenomiose ou preferência bem discutida pela retirada do útero. Mas é importante deixar claro que retirar o útero, sozinha, não resolve todo problema de sustentação. O reparo dos ligamentos e do assoalho pélvico continua sendo essencial para reduzir o risco de recorrência.

Em outras situações, é possível corrigir o prolapso preservando o útero. Isso pode fazer sentido para mulheres que desejam manter o órgão, desde que não exista contraindicação clínica ou ginecológica. O mais relevante não é apenas manter ou retirar o útero, e sim restabelecer um suporte pélvico seguro e duradouro.

Principais técnicas cirúrgicas para prolapso uterino

A técnica ideal depende da anatomia da paciente e do tipo de defeito pélvico associado. Muitas vezes, o prolapso uterino vem acompanhado de cistocele, retocele ou incontinência urinária, e o planejamento cirúrgico precisa enxergar o conjunto.

Colpossacrofixação

A colpossacrofixação é uma das cirurgias mais conhecidas para correção do prolapso apical, que envolve a parte superior da vagina ou o útero. Nessa técnica, a cúpula vaginal ou o colo uterino é suspenso e fixado a estruturas mais firmes da pelve, geralmente com auxílio de tela cirúrgica específica, quando indicada.

É um procedimento que costuma oferecer bons resultados anatômicos e funcionais, principalmente em pacientes com prolapsos mais importantes. Em casos selecionados, pode ser realizado por via minimamente invasiva, com potencial de recuperação mais rápida e menos dor no pós-operatório. Ainda assim, nem toda paciente é candidata a essa abordagem, e o uso de materiais sintéticos exige avaliação criteriosa.

Colpocleise

A colpocleise é uma opção para mulheres com prolapso avançado que não desejam manter vida sexual com penetração vaginal. Nessa cirurgia, o canal vaginal é fechado parcial ou totalmente para sustentar os órgãos prolapsados.

É uma alternativa bastante eficaz em pacientes selecionadas, sobretudo quando se busca um procedimento mais direto e com boa resposta funcional. Como interfere definitivamente na possibilidade de relação vaginal penetrativa, a indicação exige conversa franca, sem pressa e sem suposições.

Histerectomia vaginal com correção do assoalho pélvico

Quando existe indicação para retirada do útero, a histerectomia por via vaginal pode ser associada à reconstrução dos suportes pélvicos. Nessa situação, o tratamento não termina com a retirada uterina. O cirurgião também precisa corrigir os defeitos dos compartimentos anterior, posterior ou apical, conforme o caso.

Essa abordagem pode ser útil em mulheres com prolapso uterino associado a outras queixas ginecológicas. O benefício está em tratar mais de um problema na mesma programação cirúrgica, mas a decisão depende da avaliação clínica, do exame ginecológico e do histórico da paciente.

Perineoplastia e correções associadas

Em muitas pacientes, o prolapso uterino vem acompanhado de frouxidão vaginal, cistocele ou retocele. Nesses casos, pode ser necessário associar procedimentos como perineoplastia e reparos da parede vaginal. A cirurgia fica mais completa porque trata não apenas a descida do útero, mas também alterações que afetam continência, evacuação e conforto íntimo.

Como saber qual cirurgia é a melhor

A melhor cirurgia não é a mais moderna no papel nem a mais comentada por outras pessoas. É a que faz sentido para o seu quadro. Essa definição depende do grau do prolapso, da presença de perda urinária, do histórico de partos, de cirurgias anteriores, da menopausa, da atividade sexual, das doenças associadas e do objetivo da paciente.

Também é necessário avaliar se há recidiva, ou seja, se o prolapso já foi operado antes e voltou. Nesses casos, o planejamento cirúrgico costuma ser mais cuidadoso. Além disso, exames complementares podem ser solicitados quando há dúvida sobre bexiga, função urinária ou outras alterações pélvicas.

Na prática, uma boa indicação cirúrgica nasce de consulta detalhada, exame físico completo e conversa honesta sobre expectativas. Existe técnica excelente que fracassa quando é mal indicada, e cirurgia mais simples que funciona muito bem quando a escolha é correta.

O que esperar da recuperação após tratar prolapso uterino cirurgicamente

A recuperação varia conforme a técnica utilizada, a extensão do reparo e as condições da paciente. Em cirurgias menos invasivas, o retorno às atividades leves pode acontecer mais cedo. Já em procedimentos maiores, o tempo de recuperação é mais longo e requer mais cuidado com esforço físico, evacuação e atividade sexual.

Nas primeiras semanas, costuma ser necessário evitar carregar peso, fazer esforço abdominal intenso e retomar relações sexuais antes da liberação médica. O controle da constipação é parte do tratamento, porque evacuar com esforço excessivo pode prejudicar a cicatrização. Tosse crônica, obesidade e sedentarismo também precisam ser enfrentados para proteger o resultado da cirurgia.

Outro ponto importante é alinhar expectativa. A cirurgia costuma melhorar bastante a sensação de peso, a exteriorização do prolapso e parte das queixas urinárias ou evacuatórias, mas cada organismo responde de uma forma. Existem situações em que será necessário complementar o tratamento com fisioterapia pélvica ou acompanhamento mais próximo.

Riscos, limites e pontos que precisam ser discutidos

Toda cirurgia tem riscos, mesmo quando bem indicada. Sangramento, infecção, lesão de estruturas próximas, dor, retenção urinária, recorrência do prolapso e complicações específicas da técnica escolhida fazem parte da conversa pré-operatória responsável.

Isso não significa que a cirurgia seja insegura. Significa apenas que segurança de verdade envolve transparência. A paciente precisa entender o benefício esperado, os limites do procedimento e o que pode ser feito para reduzir risco antes e depois da operação.

Também vale reforçar que prolapso uterino não é apenas uma questão anatômica. Ele afeta autoestima, mobilidade, intimidade e bem-estar emocional. Por isso, o tratamento cirúrgico deve ser conduzido com técnica e sensibilidade, sem minimizar o incômodo da mulher nem apressar decisões que merecem avaliação cuidadosa.

Quando procurar avaliação especializada

Se existe sensação de abaulamento vaginal, peso na pelve, dor, dificuldade para urinar, necessidade de empurrar a região para evacuar ou desconforto importante nas relações, a avaliação ginecológica é o próximo passo. Esperar o quadro piorar pode prolongar sintomas e limitar opções terapêuticas.

Em consulta, é possível entender se o problema realmente é um prolapso uterino, qual o grau, se há alterações associadas e qual estratégia oferece mais segurança. Em casos cirúrgicos, esse planejamento individualizado faz diferença real no resultado e na recuperação. Em uma prática com experiência em cirurgias ginecológicas reconstrutivas, como a do Dr. Adalberto Reis Duarte, esse cuidado envolve tanto a escolha técnica quanto o acompanhamento próximo em cada etapa.

Decidir operar não é apenas escolher uma data no calendário. É escolher um plano de tratamento que respeite seu corpo, seus sintomas e sua rotina, com clareza suficiente para que você siga em frente com confiança.

 

Dr. Adalberto Reis Duarte é médico especialista em Ginecologia e Obstetrícia, com atuação em pré-natal de alto risco, pré-natal de risco habitual, parto cirúrgico e cirurgias ginecológicas.

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