Dr Adalberto Reis Duarte Ginecologista e Obstetra

114- Quando indicar ooforectomia unilateral?

Quando indicar ooforectomia unilateral?

Receber a notícia de que existe uma lesão no ovário costuma gerar duas perguntas imediatas: precisa operar? E, se precisar, será necessário retirar o ovário? É justamente nesse ponto que surge a dúvida sobre quando indicar ooforectomia unilateral, uma decisão que nunca deve ser automática. Ela depende do tipo de alteração, da idade da paciente, dos sintomas, do risco de malignidade e do desejo reprodutivo.

A ooforectomia unilateral é a cirurgia para retirada de apenas um ovário. Em muitos casos, essa conduta permite tratar a doença com segurança e, ao mesmo tempo, preservar o outro ovário, o que é especialmente relevante para mulheres em idade reprodutiva. Sempre que possível, a ginecologia cirúrgica moderna busca equilíbrio entre resolver o problema atual e reduzir impactos hormonais e reprodutivos futuros.

Quando indicar ooforectomia unilateral na prática

A indicação costuma aparecer quando existe uma alteração ovariana que não pode ser resolvida apenas com acompanhamento clínico ou com uma cirurgia conservadora, como a retirada isolada do cisto. Nem todo cisto no ovário exige retirada do órgão inteiro. Muitos cistos funcionais desaparecem sozinhos, e outras lesões benignas podem ser tratadas com preservação do tecido ovariano.

A ooforectomia unilateral passa a ser considerada quando o ovário está muito comprometido, quando a lesão substitui grande parte do tecido normal, quando há suspeita de câncer ou quando a preservação do ovário deixaria risco relevante de recorrência, sangramento ou dor persistente. Também pode ser necessária em situações agudas, como torção ovariana com perda da viabilidade do órgão.

Em outras palavras, a decisão não é baseada apenas no tamanho da lesão. O aspecto em exames de imagem, os sintomas, os marcadores laboratoriais e o contexto clínico da paciente pesam bastante.

Principais situações em que a cirurgia pode ser indicada

Cistos ovarianos complexos

Cistos simples e pequenos costumam ser acompanhados. Já cistos complexos, com septações espessas, conteúdo sólido, vascularização alterada ou crescimento progressivo, merecem investigação mais cuidadosa. Nesses casos, se a aparência for suspeita ou se o ovário estiver muito destruído pela lesão, a ooforectomia unilateral pode ser a opção mais segura.

Isso é ainda mais importante em mulheres na pós-menopausa, fase em que algumas alterações ovarianas exigem atenção redobrada. Mas também pode acontecer em mulheres jovens, dependendo do tipo de cisto.

Endometrioma volumoso ou recorrente

Na endometriose ovariana, o objetivo costuma ser preservar o máximo possível do ovário, principalmente quando a paciente deseja engravidar. Ainda assim, existem cenários em que o endometrioma é tão extenso, tão recorrente ou tão destrutivo que a preservação deixa de trazer benefício real.

Nessas situações, retirar um ovário doente pode aliviar dor, reduzir recorrência local e evitar novas complicações. O ponto central é avaliar caso a caso, porque em pacientes com reserva ovariana já reduzida o planejamento precisa ser ainda mais cuidadoso.

Suspeita de neoplasia ovariana

Quando há suspeita de tumor, a prioridade é segurança oncológica. Se o ovário apresenta uma lesão com características preocupantes, a retirada unilateral pode fazer parte da abordagem diagnóstica e terapêutica. Em alguns cenários, isso permite definir o tipo da lesão e evitar a disseminação do problema.

Aqui, a experiência cirúrgica faz diferença. O planejamento deve considerar a forma correta de retirada da peça, a possibilidade de avaliação anatomopatológica e a necessidade de ampliar ou não o procedimento conforme os achados.

Torção ovariana

A torção ovariana acontece quando o ovário gira sobre seus próprios ligamentos, comprometendo a circulação sanguínea. É um quadro de urgência, geralmente com dor intensa e súbita. Quando o diagnóstico é rápido, pode ser possível destorcer e preservar o ovário. Mas, se houver necrose ou inviabilidade do tecido, a ooforectomia unilateral pode ser necessária.

Nessa situação, o tempo influencia diretamente a chance de preservação.

Abscesso tubo-ovariano ou infecção grave

Em alguns quadros infecciosos pélvicos avançados, especialmente quando há abscesso sem resposta adequada a antibióticos, a cirurgia pode ser indicada. Se o ovário estiver muito danificado pelo processo inflamatório, a retirada unilateral pode ser o caminho mais seguro para controlar a infecção e proteger a saúde da paciente.

Gestação ectópica com acometimento anexial complexo

Embora a gestação ectópica geralmente envolva a tuba uterina, existem situações cirúrgicas mais complexas em que estruturas anexiais podem estar gravemente comprometidas. Nesses casos, a definição do procedimento depende do achado intraoperatório e da estabilidade da paciente.

O que o médico avalia antes de indicar a retirada de um ovário

A indicação correta começa antes da cirurgia. Ultrassonografia transvaginal, avaliação clínica detalhada e, em casos selecionados, ressonância magnética e exames laboratoriais ajudam a entender se a lesão parece benigna, limítrofe ou maligna.

Além do diagnóstico provável, o médico considera a idade da paciente, presença de dor, histórico familiar de câncer, desejo de gestação, reserva ovariana e risco de perda funcional do ovário. Uma mulher jovem com desejo reprodutivo e uma paciente na pós-menopausa não são avaliadas da mesma forma, mesmo diante de lesões aparentemente parecidas.

Também é importante discutir o que pode acontecer durante a cirurgia. Em alguns casos, a intenção inicial é preservar o ovário, mas o achado operatório mostra que isso não é seguro ou viável. Quando essa conversa acontece antes, a paciente enfrenta a decisão com mais clareza e menos angústia.

Ooforectomia unilateral afeta fertilidade e hormônios?

Essa é uma das dúvidas mais frequentes, e a resposta mais honesta é: depende. Em muitas mulheres, o outro ovário continua funcionando adequadamente, mantendo ovulação, produção hormonal e possibilidade de gravidez natural. Ou seja, retirar apenas um ovário não significa infertilidade.

Por outro lado, pode existir impacto na reserva ovariana total, sobretudo se a paciente já tiver endometriose, idade mais avançada ou algum comprometimento do ovário remanescente. Por isso, quando há desejo de engravidar, o planejamento precisa ser individualizado.

Do ponto de vista hormonal, a perda de um ovário isoladamente costuma ser bem tolerada quando o outro está saudável. A menopausa não acontece automaticamente por causa da retirada unilateral. Ainda assim, cada organismo responde de uma forma, e o acompanhamento após a cirurgia é essencial.

Quando não indicar ooforectomia unilateral de imediato

Saber quando não operar é tão importante quanto saber quando operar. Cistos funcionais simples, pequenas lesões sem sinais suspeitos e achados incidentais assintomáticos frequentemente podem ser acompanhados com segurança. Em outras situações, uma ooforoplastia ou cistectomia pode resolver o problema preservando o ovário.

Esse cuidado evita tratamentos excessivos. Retirar um ovário sem necessidade pode trazer impacto desnecessário na fertilidade e na função hormonal, especialmente em mulheres jovens. A boa conduta ginecológica não é a mais agressiva, e sim a mais adequada para cada caso.

Como é a decisão cirúrgica segura

Uma indicação bem feita combina diagnóstico preciso, técnica cirúrgica apropriada e conversa franca com a paciente. Nem sempre o objetivo é apenas remover uma lesão. Muitas vezes, o foco é controlar dor, prevenir complicações, afastar risco de câncer e preservar qualidade de vida.

Sempre que possível, técnicas minimamente invasivas contribuem para uma recuperação mais rápida e menor desconforto no pós-operatório. Mas a via cirúrgica ideal também depende do tamanho da lesão, da suspeita diagnóstica e das condições clínicas da paciente.

Na prática, a decisão segura é aquela que considera não só o exame, mas a mulher inteira – sua fase de vida, seus planos, seus sintomas e o que faz sentido para a sua saúde no longo prazo.

Quando procurar avaliação especializada

Se você recebeu o diagnóstico de cisto ovariano, massa anexial, endometrioma ou lesão no ovário, não tente interpretar o exame sozinha. Muitas descrições assustam no papel, mas têm comportamento benigno. Outras, mesmo sem sintomas intensos, merecem tratamento cirúrgico bem indicado.

Uma avaliação especializada ajuda a responder o que realmente importa: há risco em acompanhar? É possível preservar o ovário? A retirada unilateral é a melhor escolha neste momento? Em casos cirúrgicos, esse tipo de análise reduz incertezas e permite um tratamento mais seguro e personalizado.

Para pacientes que buscam esse cuidado com acompanhamento individualizado, inclusive em Belém e Ananindeua, a consulta é o momento de transformar medo em plano de ação. Quando existe indicação de ooforectomia unilateral, a decisão deve trazer clareza, segurança técnica e respeito ao futuro reprodutivo e hormonal da mulher.

Quando a cirurgia é realmente necessária, ela não representa apenas retirada de um órgão – representa a chance de tratar corretamente o problema, com responsabilidade e olhar atento para a sua saúde como um todo.