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Dr Adalberto Reis Duarte Ginecologista e Obstetra

201- Ooforectomia ou ooforoplastia ovariana: qual escolher?

Ooforectomia ou ooforoplastia ovariana: qual escolher?

Receber a notícia de que existe uma lesão no ovário costuma trazer perguntas urgentes: será preciso retirar o ovário? Ainda será possível engravidar? A decisão entre ooforectomia ou ooforoplastia ovariana não deve ser automática. Ela depende do tipo de alteração encontrada, dos sintomas, da idade, do desejo reprodutivo, dos exames de imagem e, principalmente, da avaliação individualizada feita pelo ginecologista.

Em muitas situações, preservar o tecido ovariano saudável é um objetivo possível e desejável. Em outras, remover um ovário pode ser a conduta mais segura para controlar uma doença, prevenir complicações ou investigar adequadamente uma lesão suspeita. Conhecer as diferenças ajuda a paciente a participar da decisão com mais clareza e menos medo.

O que é ooforectomia?

A ooforectomia é a cirurgia para retirada de um ou dos dois ovários. Quando apenas um ovário é removido, o procedimento recebe o nome de ooforectomia unilateral. Quando os dois são retirados, é chamada de ooforectomia bilateral.

A indicação pode ocorrer diante de cistos grandes ou persistentes, tumores ovarianos, suspeita de câncer, torção ovariana com comprometimento importante do órgão, endometriose extensa, abscessos que não respondem ao tratamento clínico ou risco genético elevado para determinados tipos de câncer. Cada cenário exige uma análise própria.

A retirada do ovário não significa, necessariamente, a retirada do útero. Uma mulher pode manter o útero após uma ooforectomia e, quando há preservação de pelo menos um ovário funcional, ainda pode ovular e engravidar naturalmente. No entanto, essa possibilidade deve ser discutida conforme a condição que motivou a cirurgia.

O que é ooforoplastia ovariana?

A ooforoplastia ovariana é uma cirurgia conservadora. Em vez de remover todo o ovário, o objetivo é tratar a alteração presente e preservar a maior quantidade possível de tecido ovariano saudável. Na prática, pode envolver a retirada de um cisto, a reconstrução do ovário ou o controle de lesões que deformam sua anatomia.

Essa abordagem é frequente em mulheres em idade reprodutiva, especialmente quando a lesão tem características benignas. Um exemplo comum é a cistectomia ovariana, procedimento em que o cisto é retirado cuidadosamente, mantendo o restante do ovário.

Preservar o ovário pode ajudar a manter a produção hormonal e a reserva ovariana. Ainda assim, o procedimento precisa ser realizado com técnica adequada, pois algumas lesões, como endometriomas, podem estar aderidas ao tecido ovariano e tornar a cirurgia mais delicada. O equilíbrio está em tratar a doença com segurança e evitar danos desnecessários ao órgão.

Ooforectomia ou ooforoplastia ovariana: como é feita a escolha?

Não existe uma resposta padrão para todas as pacientes. Um cisto simples de pequeno tamanho pode apenas ser acompanhado por ultrassonografias seriadas. Já uma massa persistente, dolorosa, volumosa ou com aspecto suspeito pode demandar cirurgia.

Na definição entre ooforectomia ou ooforoplastia ovariana, o médico considera a aparência da lesão no ultrassom, na ressonância magnética ou em outros exames indicados. Também avalia marcadores laboratoriais quando necessários, histórico familiar de câncer ginecológico, presença de dor, alterações menstruais, infertilidade, idade e planos de gestação.

A suspeita de malignidade muda a prioridade da conduta. Nesses casos, a cirurgia deve seguir princípios oncológicos para evitar ruptura da lesão, permitir uma avaliação precisa e orientar os próximos passos do tratamento. Por outro lado, quando os achados sugerem uma condição benigna e há tecido ovariano preservável, a cirurgia conservadora pode ser considerada.

Há situações em que a decisão final só é possível durante o procedimento. Um ovário muito comprometido por torção, sangramento, infecção ou aderências extensas pode não ter viabilidade para reconstrução segura. Por isso, a conversa antes da cirurgia deve incluir possibilidades, limites da técnica e autorização esclarecida para a melhor conduta diante dos achados cirúrgicos.

Fertilidade e hormônios: quais podem ser os impactos?

A fertilidade é uma preocupação legítima, mas os efeitos variam conforme o procedimento. Após a retirada de apenas um ovário, o outro pode continuar ovulando e produzindo hormônios. Muitas mulheres mantêm ciclos menstruais regulares e conseguem engravidar espontaneamente.

Mesmo assim, a reserva ovariana total pode ser menor, especialmente quando há histórico de cirurgias prévias, endometriose, baixa reserva ovariana ou idade mais próxima da menopausa. Para pacientes que desejam gestar, esse planejamento deve fazer parte da consulta desde o início.

Na ooforoplastia, a intenção é preservar a função ovariana, mas o resultado depende do tamanho, da localização e do tipo da lesão. Retirar um cisto pode ser essencial para aliviar dor, reduzir risco de torção e esclarecer o diagnóstico. Ao mesmo tempo, toda manipulação no ovário exige precisão para diminuir a retirada involuntária de folículos saudáveis.

A ooforectomia bilateral antes da menopausa provoca menopausa cirúrgica, pois interrompe de forma imediata a produção ovariana de hormônios. Podem surgir ondas de calor, ressecamento vaginal, alterações no sono, no humor e redução da densidade óssea ao longo do tempo. Nessa circunstância, a equipe médica deve discutir estratégias de acompanhamento e, quando apropriado, terapia hormonal.

Quando o cisto no ovário precisa de cirurgia?

Nem todo cisto ovariano é perigoso ou precisa ser operado. Muitos são funcionais, aparecem durante o ciclo menstrual e desaparecem espontaneamente em alguns meses. O acompanhamento costuma ser suficiente quando a imagem é tranquilizadora e a paciente não apresenta sintomas relevantes.

A cirurgia pode ser recomendada se o cisto persiste, cresce, causa dor intensa, sofre ruptura, apresenta torção, tem conteúdo ou paredes suspeitas, ou interfere na fertilidade. Cistos dermoides, endometriomas e alguns cistadenomas, por exemplo, podem ter indicação cirúrgica conforme o tamanho, os sintomas e as características de imagem.

Dor pélvica súbita e muito forte, acompanhada de náuseas, vômitos, desmaio, febre ou sangramento intenso, merece atendimento de urgência. Esses sinais podem indicar torção, ruptura ou sangramento interno e não devem ser tratados apenas com analgésicos em casa.

Como é a recuperação da cirurgia ovariana?

A via de acesso depende da indicação e das condições clínicas. Em muitos casos, a videolaparoscopia permite realizar a cirurgia por pequenas incisões, com menor trauma nos tecidos, menos dor no pós-operatório e recuperação mais rápida. Porém, lesões muito grandes, suspeitas de câncer, aderências extensas ou determinadas urgências podem exigir laparotomia, que é a cirurgia aberta.

Após a laparoscopia, algumas pacientes retomam atividades leves em poucos dias, enquanto exercícios físicos, relações sexuais e esforços maiores precisam de liberação médica. Na cirurgia aberta, o período de recuperação tende a ser mais longo. O tempo correto não deve ser definido por comparação com outras pacientes, mas pela extensão da cirurgia e pela evolução individual.

O resultado do exame anatomopatológico, feito no material retirado, também é parte essencial do processo. Ele confirma a natureza da lesão e orienta se haverá necessidade de acompanhamento adicional.

Perguntas que valem levar para a consulta

Antes de decidir pela cirurgia, é razoável perguntar se há alternativa de acompanhamento, qual é a principal hipótese diagnóstica e por que aquela técnica foi recomendada. Também vale conversar sobre a chance de preservar o ovário, possíveis impactos sobre fertilidade e hormônios, tipo de anestesia, via cirúrgica e cuidados necessários na recuperação.

Para mulheres com desejo de engravidar, o planejamento reprodutivo merece atenção especial. Dependendo do quadro, podem ser solicitados exames para avaliar reserva ovariana ou indicado acompanhamento conjunto com especialista em reprodução humana. Isso não significa que toda cirurgia exigirá tratamento de fertilidade, mas permite decisões mais conscientes.

A escolha entre preservar ou retirar um ovário deve unir informação clara, técnica cirúrgica e respeito aos planos de vida da paciente. Em Belém, Ananindeua ou por telemedicina para orientação inicial, uma consulta ginecológica detalhada pode transformar uma dúvida angustiante em um plano de cuidado seguro, realista e alinhado ao que você precisa para seguir com tranquilidade.

Dr. Adalberto Reis Duarte

 

Dr. Adalberto Reis Duarte é médico especialista em Ginecologia e Obstetrícia, com atuação em pré-natal de alto risco, pré-natal de risco habitual, parto cirúrgico e cirurgias ginecológicas.

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