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Dr Adalberto Reis Duarte Ginecologista e Obstetra

151- Mioma sempre precisa de cirurgia? Saiba quando

Mioma sempre precisa de cirurgia? Saiba quando

Receber o diagnóstico de mioma costuma trazer uma pergunta imediata: mioma sempre precisa de cirurgia? Não. Muitas mulheres convivem com miomas sem qualquer procedimento e, em alguns casos, nem precisam de tratamento. A decisão depende menos da simples presença do mioma e mais dos sintomas, do tamanho e da localização dos nódulos, da idade, dos exames e dos planos reprodutivos de cada paciente.

O caminho mais seguro não é operar por medo, nem adiar uma avaliação quando há sangramento intenso ou dor. É entender o que o mioma está causando em seu corpo e definir uma conduta individualizada, com acompanhamento ginecológico adequado.

O que é mioma e por que ele pode ter comportamentos diferentes?

Miomas são tumores benignos formados por tecido muscular do útero. Eles são frequentes durante a fase reprodutiva e podem aparecer como um único nódulo ou em maior quantidade. Embora a palavra “tumor” assuste, mioma não significa câncer.

O impacto de um mioma varia principalmente conforme a sua posição. Os miomas submucosos crescem em direção à cavidade interna do útero e, mesmo quando pequenos, podem provocar fluxo menstrual muito aumentado, anemia e dificuldade para engravidar. Os intramurais ficam na parede uterina e podem alterar o tamanho ou a forma do útero. Já os subserosos crescem para a parte externa e, quando maiores, podem pressionar bexiga, intestino ou estruturas da pelve.

Por isso, um mioma pequeno pode exigir atenção em determinada mulher, enquanto um mioma maior pode ser apenas acompanhado em outra. O ultrassom transvaginal é um dos principais exames para avaliar essas características. Em situações selecionadas, a ressonância magnética ajuda a planejar melhor o tratamento.

Quando o mioma pode ser apenas acompanhado

Se o mioma foi identificado em um exame de rotina, não causa sintomas e não altera a cavidade uterina de modo relevante, a conduta pode ser expectante. Isso significa manter consultas e exames periódicos, sem iniciar medicamento ou cirurgia apenas pela existência do nódulo.

Esse acompanhamento permite observar o comportamento do mioma e agir se houver mudanças clínicas. Muitas pacientes permanecem bem por anos. Após a menopausa, quando há redução dos hormônios que estimulam o crescimento dos miomas, é comum que eles diminuam de tamanho.

A observação não é abandono do cuidado. Ela é uma escolha médica ativa, indicada quando o benefício de intervir não supera os possíveis riscos e desconfortos de um tratamento.

Sintomas que merecem uma avaliação mais rápida

O sangramento menstrual excessivo é uma das queixas mais comuns. Menstruações prolongadas, coágulos frequentes, necessidade de trocar absorventes em intervalos muito curtos ou cansaço persistente podem indicar anemia e precisam de investigação.

Dor pélvica, sensação de peso no baixo-ventre, aumento do volume abdominal, vontade frequente de urinar, prisão de ventre e dor durante a relação sexual também podem estar relacionados aos miomas, sobretudo quando eles têm maior volume ou ficam em posições específicas.

Há ainda situações ligadas à fertilidade e à gestação. Alguns miomas podem dificultar a implantação do embrião, aumentar o risco de abortamento ou interferir no curso da gravidez. Isso não acontece com todas as pacientes e não significa que toda mulher com mioma terá problemas para engravidar. A localização do nódulo e a deformidade da cavidade uterina são pontos centrais nessa análise.

Procure atendimento sem demora se houver sangramento muito intenso, tontura, falta de ar, palidez, dor forte e contínua ou aumento rápido do abdome. Esses sinais exigem avaliação para identificar a causa e controlar o problema com segurança.

Mioma sempre precisa de cirurgia? Entenda as indicações

A cirurgia pode ser indicada quando o mioma causa sintomas relevantes e persistentes, como anemia por sangramento uterino, dor importante ou compressão de órgãos. Também pode ser recomendada quando há alteração da cavidade uterina em mulheres que desejam engravidar, quando tratamentos clínicos não controlam as queixas ou quando o diagnóstico precisa ser melhor esclarecido.

A indicação não depende de um único número no laudo. Um mioma de 4 centímetros pode ser muito significativo se for submucoso e provocar sangramento intenso. Por outro lado, um nódulo maior, localizado externamente e sem sintomas, pode ser acompanhado.

Crescimento percebido em pouco tempo também merece investigação, especialmente após a menopausa. Ainda assim, a velocidade de crescimento isoladamente não define uma cirurgia. O ginecologista considera a história clínica, o exame físico, as imagens e os fatores individuais antes de propor qualquer procedimento.

Há tratamento sem cirurgia?

Em muitas situações, sim. Medicamentos podem reduzir o fluxo menstrual, aliviar cólicas e ajudar na correção da anemia, especialmente enquanto se acompanha a evolução do mioma ou se organiza um planejamento cirúrgico. A escolha pode incluir terapias hormonais, dispositivos intrauterinos hormonais e outras opções para controle do sangramento, de acordo com a avaliação médica.

Esses tratamentos costumam agir melhor sobre os sintomas do que sobre o desaparecimento definitivo do mioma. Alguns medicamentos podem reduzir temporariamente o volume dos nódulos, mas não são adequados para todas as mulheres nem para uso prolongado sem acompanhamento.

Em casos selecionados, existem procedimentos não cirúrgicos ou menos invasivos, como a embolização das artérias uterinas. Ela reduz o fluxo de sangue que chega aos miomas, levando à diminuição do volume e dos sintomas. Porém, não é a escolha ideal para todas as pacientes, particularmente quando há desejo de gestação futura, pois a decisão precisa considerar impactos reprodutivos e características do útero.

Quando a cirurgia é necessária, qual procedimento pode ser indicado?

A cirurgia não é uma única técnica. O melhor procedimento depende da localização e do número de miomas, do tamanho uterino, dos sintomas e do desejo de preservar o útero e a fertilidade.

A miomectomia retira apenas os miomas e preserva o útero. Pode ser realizada por histeroscopia quando o nódulo está dentro da cavidade uterina, ou por videolaparoscopia e cirurgia aberta em situações que envolvem miomas na parede ou na face externa do útero. Técnicas minimamente invasivas, quando bem indicadas, costumam proporcionar incisões menores e recuperação mais rápida.

A histerectomia é a retirada do útero. É um tratamento definitivo para miomas e pode ser considerada quando a paciente não deseja futuras gestações, apresenta sintomas intensos, possui miomas volumosos ou múltiplos, ou não obteve controle com outras abordagens. Não é uma decisão automática e deve ser conversada com clareza, incluindo benefícios, riscos, recuperação e efeitos esperados.

Preservar o útero nem sempre é sinônimo de melhor tratamento, assim como indicar histerectomia não significa falta de alternativas. A melhor escolha é aquela que respeita o quadro clínico e os projetos de vida da mulher.

O desejo de engravidar muda a conversa

Para quem deseja uma gestação, a avaliação precisa ser ainda mais cuidadosa. Nem todo mioma deve ser removido antes de tentar engravidar. A cirurgia pode trazer benefícios quando há deformidade da cavidade uterina ou sintomas relevantes, mas também pode deixar cicatrizes no útero e exigir um intervalo de recuperação antes da gravidez.

Após uma miomectomia, o tipo de incisão uterina e a profundidade da cirurgia podem influenciar a orientação para uma futura gestação e para a via de parto. Esse planejamento deve ser feito de forma individual, com acompanhamento obstétrico atento quando a gravidez acontecer.

Uma decisão segura começa com escuta e diagnóstico preciso

O tratamento de miomas não deve ser guiado por histórias de outras pacientes ou apenas por um resultado de ultrassom. Leve para a consulta seus exames anteriores, anote os sintomas, informe se há planos de gravidez e relate como o sangramento ou a dor interferem em sua rotina. Esses detalhes ajudam a definir uma conduta mais segura e proporcional à sua necessidade.

Se o mioma está afetando sua qualidade de vida, causando anemia ou trazendo insegurança sobre a fertilidade, uma consulta ginecológica é o próximo passo para transformar dúvida em um plano de cuidado claro, acolhedor e tecnicamente bem indicado.

Dr. Adalberto Reis Duarte

 

Dr. Adalberto Reis Duarte é médico especialista em Ginecologia e Obstetrícia, com atuação em pré-natal de alto risco, pré-natal de risco habitual, parto cirúrgico e cirurgias ginecológicas.

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