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Dr Adalberto Reis Duarte Ginecologista e Obstetra

237- Como cuidar após ooforectomia com segurança

Como cuidar após ooforectomia com segurança

A alta hospitalar marca o início de uma etapa que merece atenção: a recuperação. Saber como cuidar após ooforectomia ajuda a controlar o desconforto, proteger a cicatrização e perceber precocemente qualquer sinal que exija avaliação médica. Embora muitas pacientes se sintam melhor em poucos dias, o organismo ainda está em processo de adaptação – e cada cirurgia tem características próprias.

A ooforectomia é a retirada cirúrgica de um ovário ou dos dois ovários. Ela pode ser indicada em situações como cistos ovarianos complexos, tumores, endometriose, torção ovariana, abscessos ou risco hereditário elevado para alguns tipos de câncer. O procedimento pode ser realizado por videolaparoscopia, com pequenas incisões, ou por cirurgia aberta, quando há indicação clínica. Essa diferença, assim como a retirada de um ou ambos os ovários, interfere diretamente no tempo de recuperação e nos cuidados necessários.

Como cuidar após ooforectomia nos primeiros dias

Nas primeiras 24 a 72 horas, é esperado haver dor ou sensibilidade no baixo-ventre, cansaço, leve inchaço e desconforto para se movimentar. Após a laparoscopia, algumas pacientes também sentem dor nos ombros ou na parte superior do abdome devido ao gás utilizado durante o procedimento. Em geral, essa sensação melhora progressivamente nos primeiros dias.

Use os medicamentos exatamente como foram prescritos. Analgésicos, anti-inflamatórios, antibióticos ou anticoagulantes, quando indicados, têm função específica e não devem ser suspensos, repetidos ou trocados por conta própria. Se a dor não estiver controlada mesmo com a medicação, avise a equipe médica em vez de aumentar doses por iniciativa própria.

O repouso é necessário, mas não significa ficar imóvel. Pequenas caminhadas dentro de casa, iniciadas conforme a orientação recebida, ajudam na circulação sanguínea, no funcionamento do intestino e na prevenção de complicações, como trombose. O ponto de equilíbrio é simples: movimentar-se com cuidado, sem fazer esforço e sem ultrapassar o limite do corpo.

Também é comum o intestino ficar mais lento após uma cirurgia, especialmente pelo efeito da anestesia e de alguns analgésicos. Beber água ao longo do dia, incluir frutas, verduras e alimentos ricos em fibras, quando liberados, pode ajudar. Caso haja constipação persistente, vômitos, incapacidade de se alimentar ou distensão abdominal importante, o médico deve ser informado.

Cuidados com os cortes e a cicatrização

A incisão precisa permanecer limpa e seca conforme a recomendação do cirurgião. Algumas pacientes recebem curativos específicos; em outras, os pequenos cortes da laparoscopia podem ficar descobertos após determinado período. Não use pomadas, álcool, ervas, faixas ou produtos caseiros sem autorização médica, pois eles podem irritar a pele ou dificultar a avaliação de uma infecção.

O banho costuma ser permitido em um prazo curto, mas banheira, piscina, rio e mar geralmente exigem uma espera maior, até que a pele esteja bem cicatrizada. A recomendação exata depende do tipo de incisão, dos pontos utilizados e da evolução no retorno pós-operatório.

Observe diariamente a aparência dos cortes. Uma discreta vermelhidão inicial ou sensibilidade local pode ocorrer, mas a evolução deve ser de melhora, não de piora. Dor crescente, calor intenso, secreção com mau cheiro ou abertura da ferida precisam de avaliação.

Retomada da rotina: cada tipo de cirurgia tem seu tempo

Depois de uma ooforectomia por laparoscopia, algumas mulheres conseguem realizar atividades leves em uma ou duas semanas. Ainda assim, exercícios físicos, carregar peso, dirigir e voltar ao trabalho dependem da intensidade da atividade e da liberação médica. Uma pessoa que trabalha sentada pode retornar antes de alguém que precisa permanecer muitas horas em pé ou levantar cargas.

Na cirurgia aberta, a recuperação costuma ser mais lenta porque a incisão abdominal é maior e os tecidos precisam de mais tempo para cicatrizar. Forçar a musculatura abdominal antes da hora pode aumentar a dor e comprometer o processo de recuperação. Por isso, não use como referência a experiência de uma amiga ou relatos na internet: a indicação segura é sempre individual.

As relações sexuais também devem ser suspensas até a liberação do ginecologista. O prazo varia conforme o procedimento associado, a presença de suturas internas, o motivo da cirurgia e a recuperação de cada paciente. Retomar antes do momento adequado pode causar dor, sangramento ou desconforto pélvico.

A retirada de um ovário muda os hormônios?

Quando apenas um ovário é retirado e o outro está saudável, ele geralmente continua produzindo hormônios e liberando óvulos. Muitas mulheres mantêm ciclos menstruais e possibilidade de gravidez. Entretanto, idade, reserva ovariana, doenças associadas e tratamentos prévios podem mudar esse cenário. Se houver desejo de engravidar, vale conversar cedo sobre fertilidade e planejamento reprodutivo.

Na ooforectomia bilateral, com a retirada dos dois ovários antes da menopausa natural, ocorre uma queda mais abrupta dos hormônios ovarianos. Podem surgir ondas de calor, suor noturno, alterações do sono, ressecamento vaginal, mudanças de humor e redução da libido. Esse quadro merece acompanhamento atento, pois a ausência hormonal também pode ter repercussões na saúde óssea e cardiovascular ao longo do tempo.

Em alguns casos, a terapia hormonal pode ser considerada; em outros, ela não é recomendada devido ao diagnóstico que levou à cirurgia ou ao histórico clínico da paciente. Não existe uma resposta única. A decisão deve avaliar benefícios, riscos, idade, sintomas e antecedentes pessoais e familiares.

Sinais de alerta após a ooforectomia

Alguns desconfortos fazem parte do pós-operatório, mas certos sintomas não devem esperar a próxima consulta. Procure atendimento médico se apresentar:

  • febre, calafrios ou mal-estar intenso;
  • dor abdominal forte, súbita ou que piora progressivamente;
  • sangramento vaginal intenso, secreção com odor desagradável ou sangramento pela incisão;
  • falta de ar, dor no peito, desmaio, inchaço doloroso em uma perna ou vermelhidão importante ao redor da ferida.

Náuseas persistentes, vômitos repetidos, dificuldade para urinar ou ausência prolongada de eliminação de gases também precisam ser comunicados. Em caso de dúvida, é mais seguro buscar orientação do que esperar os sintomas se agravarem.

O retorno pós-operatório é parte do tratamento

A consulta de revisão não serve apenas para retirar pontos. É quando o ginecologista avalia a cicatrização, revisa o resultado do exame anatomopatológico, orienta a retomada de atividades e conversa sobre os próximos passos. Se a cirurgia foi realizada por suspeita de endometriose, tumor, lesão complexa ou prevenção de câncer, o plano de acompanhamento pode incluir exames e avaliações complementares.

Também há um aspecto emocional que merece espaço. A retirada de um ovário ou dos dois pode trazer alívio por resolver dor, sangramento ou medo de uma doença grave, mas também pode provocar insegurança sobre fertilidade, feminilidade, sexualidade ou menopausa. Esses sentimentos são legítimos. Falar sobre eles durante o acompanhamento permite que o cuidado seja completo, não apenas cirúrgico.

Em Belém, Ananindeua ou por telemedicina quando apropriado, um acompanhamento ginecológico individualizado pode esclarecer dúvidas antes que elas se transformem em ansiedade. Recuperar-se bem não é acelerar etapas: é respeitar o seu tempo, seguir as orientações recebidas e manter contato com a equipe médica sempre que algo fugir do esperado.

Dr. Adalberto Reis Duarte

 

O Dr. Adalberto Reis Duarte é médico especialista em Ginecologia e Obstetrícia, com atuação em pré-natal de alto risco, pré-natal de risco habitual, parto cirúrgico e cirurgias ginecológicas.

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