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Dr Adalberto Reis Duarte Ginecologista e Obstetra

204-Quando a cirurgia robótica para miomas é indicada?

Quando a cirurgia robótica para miomas é indicada?

Receber o diagnóstico de miomas costuma trazer uma dúvida imediata: será que vou precisar operar? Para algumas mulheres, a resposta é não. Para outras, especialmente quando há sangramento intenso, dor, anemia, pressão na bexiga, aumento do abdome ou dificuldade para engravidar, a cirurgia pode representar um caminho importante para recuperar qualidade de vida. Nesse cenário, a cirurgia robótica para miomas é uma alternativa moderna que pode ser considerada em casos selecionados.

Mas o robô não é uma indicação por si só. A decisão deve começar pelo tipo de mioma, seu tamanho, número e localização no útero, pelos sintomas, pelos planos reprodutivos e pelas condições clínicas de cada paciente. Tecnologia só faz sentido quando está a serviço de uma estratégia cirúrgica segura e individualizada.

O que são miomas e quando precisam de tratamento?

Miomas são tumores benignos formados no músculo do útero. São frequentes em mulheres em idade reprodutiva e podem permanecer pequenos e sem sintomas por muitos anos. Nem todo mioma exige remédio, procedimento ou cirurgia.

A necessidade de tratar surge quando eles interferem no bem-estar ou na saúde da paciente. Menstruação muito volumosa e prolongada, anemia, cólicas pélvicas persistentes, dor durante a relação, vontade frequente de urinar, constipação e sensação de peso no baixo ventre merecem avaliação. Em algumas situações, os miomas também podem alterar a cavidade uterina e dificultar a implantação de uma gestação.

O tratamento não é igual para todas. Miomas pequenos e assintomáticos podem apenas ser acompanhados com consultas e exames de imagem. Medicamentos podem ajudar a controlar sangramento ou dor, embora geralmente não eliminem os nódulos. Quando há indicação cirúrgica, a técnica é escolhida com base no objetivo do tratamento.

Como funciona a cirurgia robótica para miomas?

A cirurgia robótica é uma forma avançada de cirurgia minimamente invasiva. Ela é realizada por meio de pequenas incisões no abdome. O cirurgião permanece no controle total do procedimento, operando a partir de um console que comanda instrumentos articulados e uma câmera de alta definição.

Isso não significa que o robô opere sozinho. A tecnologia amplia os movimentos das mãos do cirurgião e oferece visão tridimensional e detalhada da região operada. Para a retirada de miomas, essa precisão pode ser particularmente útil na dissecção do nódulo e na reconstrução da parede do útero após a miomectomia.

Miomectomia ou histerectomia: objetivos diferentes

A miomectomia retira os miomas e preserva o útero. É uma opção importante para mulheres que desejam manter a possibilidade de gestação ou simplesmente preferem conservar o órgão quando isso é clinicamente adequado. A via robótica pode ser indicada para alguns casos de miomas intramurais ou subserosos, principalmente quando a localização torna a sutura uterina mais delicada.

Já a histerectomia é a retirada do útero. Pode ser recomendada quando os sintomas são importantes, a paciente não deseja mais engravidar e há miomas múltiplos, muito volumosos ou recorrentes. Preservar ou não o colo do útero, as trompas e os ovários é uma decisão individual, tomada com base em critérios médicos e nas preferências da paciente.

É fundamental esclarecer que retirar o útero não é sinônimo de retirar os ovários. Quando os ovários são preservados, a produção hormonal tende a continuar até a menopausa natural. Cada cirurgia precisa ser discutida sem pressa, com informações claras sobre consequências, benefícios e alternativas.

Quais podem ser os benefícios da técnica robótica?

Quando bem indicada e realizada por equipe habilitada, a cirurgia robótica pode combinar o acesso por pequenas incisões com recursos de precisão relevantes em cirurgias ginecológicas mais complexas. Em comparação com a cirurgia aberta tradicional, muitas pacientes têm menor trauma na parede abdominal e uma recuperação mais confortável.

Entre os benefícios possíveis estão menor dor no pós-operatório, menor perda de sangue em determinados casos, menor tempo de internação e retorno mais rápido às atividades habituais. As pequenas incisões também podem trazer resultado estético mais discreto.

Na miomectomia, há ainda um ponto especialmente relevante: a qualidade da sutura no útero. O sistema robótico permite movimentos amplos e precisos em diferentes ângulos, o que pode favorecer a reconstrução cuidadosa das camadas uterinas. Isso é valioso, mas não substitui experiência cirúrgica, planejamento pré-operatório e indicação correta.

A recuperação varia. Algumas mulheres retomam tarefas leves em poucos dias, enquanto exercícios físicos, relações sexuais e atividades com esforço devem aguardar a liberação médica. O tempo também depende da extensão da cirurgia, do número de miomas removidos e da evolução individual.

A cirurgia robótica é a melhor escolha em todos os casos?

Não. O melhor tratamento não é necessariamente o mais tecnológico, e sim o que entrega segurança e resultado adequado para aquela paciente. Há situações em que a histeroscopia cirúrgica é mais indicada, por exemplo, para pólipos e miomas pequenos localizados dentro da cavidade uterina. Nesse procedimento, o acesso é feito pela vagina e pelo colo do útero, sem cortes no abdome.

A laparoscopia convencional também é uma excelente técnica minimamente invasiva e pode ser apropriada para muitos miomas. Por outro lado, miomas muito grandes, útero bastante aumentado, cirurgias prévias, aderências extensas ou suspeita de outras doenças podem tornar a cirurgia aberta a opção mais segura. A escolha da via não deve ser vista como um ranking entre técnicas.

Também existem questões práticas. A cirurgia robótica exige estrutura hospitalar específica, equipe treinada e pode ter custo diferente conforme o hospital e a cobertura do plano de saúde. Esses fatores precisam ser conversados de forma transparente, sem prometer resultados que não podem ser garantidos.

O planejamento antes da cirurgia faz diferença

Uma boa indicação cirúrgica começa com uma avaliação detalhada. A consulta deve investigar intensidade dos sintomas, histórico menstrual, uso de medicamentos, cirurgias anteriores, desejo de gestação e doenças associadas. Ultrassonografia transvaginal, ressonância magnética em casos selecionados e exames de sangue ajudam a mapear os miomas e identificar anemia ou outros fatores que exigem atenção.

Para quem deseja engravidar, o planejamento merece ainda mais cuidado. O local onde o mioma está inserido, a profundidade do corte no músculo uterino e a necessidade de reconstrução do útero influenciam as orientações para uma futura gestação. Após uma miomectomia, pode ser necessário aguardar um período de cicatrização antes de tentar engravidar. Em algumas pacientes, a cesariana poderá ser recomendada no futuro, dependendo da cirurgia realizada.

Também é preciso falar sobre riscos com honestidade. Toda cirurgia envolve possibilidade de sangramento, infecção, lesão de estruturas próximas, trombose, aderências e necessidade de conversão para cirurgia aberta se essa for a conduta mais segura durante o procedimento. Na miomectomia, existe ainda a possibilidade de surgirem novos miomas ao longo da vida, pois a cirurgia remove os nódulos existentes, mas não impede a formação de outros.

Perguntas que ajudam na consulta

Antes de decidir, vale levar dúvidas objetivas. Pergunte qual é a localização dos seus miomas, por que a cirurgia é recomendada no seu caso, se há alternativas não cirúrgicas e qual técnica oferece melhor segurança. Também converse sobre preservação do útero, expectativa de melhora dos sintomas, tempo de afastamento, impacto em uma possível gravidez e cobertura financeira do procedimento.

A paciente deve entender o plano proposto e sentir que suas prioridades foram consideradas. Desejo reprodutivo, receio da cirurgia, rotina familiar, trabalho e histórico de saúde são partes legítimas dessa decisão.

Em Belém e Ananindeua, uma avaliação ginecológica individualizada permite definir se há indicação de acompanhamento, tratamento clínico, histeroscopia, laparoscopia, cirurgia robótica ou outra abordagem. O mais importante é não normalizar sintomas que limitam sua vida. Com diagnóstico preciso e orientação segura, é possível escolher um tratamento coerente com o seu corpo, seus planos e o cuidado que você merece.

Dr. Adalberto Reis Duarte

 

Dr. Adalberto Reis Duarte é médico especialista em Ginecologia e Obstetrícia, com atuação em pré-natal de alto risco, pré-natal de risco habitual, parto cirúrgico e cirurgias ginecológicas.

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